24 de abr. de 2009
O que Significa Outros Deuses no Trabalho
Artigo do livro Shamati de Baal HaSulam: What is Other Gods in the Work.
Está escrito: "Não terás outros deuses diante de Mim” (Êxodo 20:3). O Zohar Sagrado interpreta que deveria haver pedras para se pesar o trabalho. Ele pergunta a respeito: De que forma o trabalho é pesado com pedras, de modo que saibamos o nosso estágio nos caminhos de Deus? Ele responde que é sabido que quando começamos a trabalhar além do que estamos acostumados, o nosso corpo físico começa a rejeitar e a contrariar este trabalho com toda a sua força.
Isto porque o ato de doar (outorgar) é um peso, um fardo para o corpo físico, que não tolera este trabalho, e sua resistência surge sob a forma de pensamentos estranhos. Ele começa a perguntar "quem" e "o que", e então, dizemos que essas perguntas são certamente enviadas pelo Sitra Achra (outro lado) para dificultar o nosso trabalho.
É dito que se naquele momento dizemos que as perguntas são oriundas do Sitra Achra, violamos o que está escrito: "Não terás outros deuses diante de Mim". A razão é que devemos acreditar que isso é proveniente da Shechina Sagrada, uma vez que "Não há outro além Dele". Em vez disso, a Shechina Sagrada nos mostra o nosso verdadeiro estágio, como estamos progredindo nos caminhos de Deus.
Isto significa que, enviando-nos estas perguntas, chamadas de "pensamentos estranhos", ela observa como respondemos a elas. Com isso, devemos conhecer nosso verdadeiro estado e então saberemos o que fazer.
É como a seguinte parábola: um homem queria saber o quanto seu amigo o amava. Certamente, quando estavam frente a frente, seu amigo se ocultava por vergonha. Então, ele enviou uma pessoa para falar mal dele. Assim, ele via a reação do amigo quando estava longe dele e, com isso, era possível saber a medida exata do seu amor.
A lição é que quando a Shechina Sagrada nos mostra a sua face, ou seja, quando o Criador nos dá ânimo e alegria, ficamos envergonhados de dizer o que pensamos sobre o trabalho de doação e de não recebermos nada para nós mesmos. No entanto, quando não estamos diante dela, ou seja, quando o ânimo e a satisfação diminuem, o que é considerado não estar diante dela, então percebemos o nosso verdadeiro estágio no que diz respeito ao ato de doar.
Se acreditarmos que está escrito que não há outro além Dele, e que o Criador envia todos os pensamentos estranhos, o que significa que Ele é o operador, sem dúvida saberemos o que fazer, e como responder a todas as perguntas. É como se ela nos enviasse mensageiros para ver como difamamos ela e o seu Reino dos Céus, e é dessa forma que podemos interpretar a questão acima.
Podemos compreender que tudo vem do Criador. Isso porque é sabido que os golpes que o corpo físico dá na pessoa com seus pensamentos estranhos, visto que eles não vêm até a pessoa que não se engaja no trabalho, mas estes golpes que vêm à pessoa numa sensação completa, a tal ponto que estes pensamentos esmagam sua mente, seguem-se de forma especificamente anterior à Tora e ao trabalho que vai além do usual. Isso é chamado pedras para se pesar.
Isso significa que estas pedras caem em nossa mente quando desejamos compreender essas questões. Mais tarde, pesamos a finalidade do nosso trabalho, se realmente vale a pena trabalhar a fim de doar, trabalhar com toda a nossa força e alma, e que todos os nossos desejos existirão apenas na expectativa de que o que há para se alcançar neste mundo é com a finalidade de trazer satisfação ao Criador, e não materialmente.
Naquele momento começa uma difícil discussão, uma vez que percebemos que existem argumentos de ambos os lados. As escrituras advertem sobre isso: "Não terás outros deuses diante de Mim". Não diga que outro deus lhe deu as pedras para pesar o seu trabalho, mas sim "diante de Mim".
Pelo contrário, devemos saber que isso é considerado "diante de Mim". Tanto é assim que perceberemos a verdadeira forma da base e do alicerce sobre a qual é construída a estrutura do trabalho.
O peso no trabalho existe principalmente porque são dois temas que se negam um ao outro. De um lado, deveríamos julgar que todo o nosso trabalho é para alcançar a Dvekut (Adesão) com o Criador, e que todos os nossos desejos serão apenas para darmos contentamento ao Criador, e não a nós próprios.
Por outro lado, percebemos que este não é o principal objetivo, uma vez que a finalidade da criação não era para que as criaturas dessem algo ao Criador, uma vez que Ele não tem nenhuma deficiência para que as criaturas Lhe dêem algo. Pelo contrário, a finalidade da criação é Seu desejo de fazer o bem a Suas criaturas, ou seja, que as criaturas recebam satisfação e prazer Dele.
Estas duas questões se contradizem de um extremo ao outro. De um lado devemos dar, e de outro devemos receber. Em outras palavras, há o discernimento da correção da criação, que é alcançar a Dvekut, compreendida como a equivalência de forma, sendo que todas as nossas ações serão apenas para doar. Depois, é possível alcançar a finalidade da criação, que consiste em receber prazer e satisfação do Criador.
Então, quando nos acostumamos a caminhar nas vias da doação, não temos, de qualquer modo, os vasos de recepção. Quando caminhamos nas vias da recepção, não possuímos vasos de doação.
Desse modo, através das "pedras para se pesar" adquirimos ambos os vasos. Isto porque após a negociação que tivemos durante o trabalho, quando vencemos e assumimos o encargo do Reino dos Céus sob a forma de doação em coração e mente, quando estamos prestes a atrair a Sublime Abundância, uma vez que já temos uma base sólida de que tudo deveria ser sob a forma de doação, então, mesmo quando recebemos alguma iluminação, já recebemos com o propósito de doar. Isto porque todo o fundamento deste trabalho é construído somente na doação. Isto é considerado que “recebemos com o propósito de doar”.
Leitura complementar: Não há Ninguém além do Criador.
Está escrito: "Não terás outros deuses diante de Mim” (Êxodo 20:3). O Zohar Sagrado interpreta que deveria haver pedras para se pesar o trabalho. Ele pergunta a respeito: De que forma o trabalho é pesado com pedras, de modo que saibamos o nosso estágio nos caminhos de Deus? Ele responde que é sabido que quando começamos a trabalhar além do que estamos acostumados, o nosso corpo físico começa a rejeitar e a contrariar este trabalho com toda a sua força.
Isto porque o ato de doar (outorgar) é um peso, um fardo para o corpo físico, que não tolera este trabalho, e sua resistência surge sob a forma de pensamentos estranhos. Ele começa a perguntar "quem" e "o que", e então, dizemos que essas perguntas são certamente enviadas pelo Sitra Achra (outro lado) para dificultar o nosso trabalho.
É dito que se naquele momento dizemos que as perguntas são oriundas do Sitra Achra, violamos o que está escrito: "Não terás outros deuses diante de Mim". A razão é que devemos acreditar que isso é proveniente da Shechina Sagrada, uma vez que "Não há outro além Dele". Em vez disso, a Shechina Sagrada nos mostra o nosso verdadeiro estágio, como estamos progredindo nos caminhos de Deus.
Isto significa que, enviando-nos estas perguntas, chamadas de "pensamentos estranhos", ela observa como respondemos a elas. Com isso, devemos conhecer nosso verdadeiro estado e então saberemos o que fazer.
É como a seguinte parábola: um homem queria saber o quanto seu amigo o amava. Certamente, quando estavam frente a frente, seu amigo se ocultava por vergonha. Então, ele enviou uma pessoa para falar mal dele. Assim, ele via a reação do amigo quando estava longe dele e, com isso, era possível saber a medida exata do seu amor.
A lição é que quando a Shechina Sagrada nos mostra a sua face, ou seja, quando o Criador nos dá ânimo e alegria, ficamos envergonhados de dizer o que pensamos sobre o trabalho de doação e de não recebermos nada para nós mesmos. No entanto, quando não estamos diante dela, ou seja, quando o ânimo e a satisfação diminuem, o que é considerado não estar diante dela, então percebemos o nosso verdadeiro estágio no que diz respeito ao ato de doar.
Se acreditarmos que está escrito que não há outro além Dele, e que o Criador envia todos os pensamentos estranhos, o que significa que Ele é o operador, sem dúvida saberemos o que fazer, e como responder a todas as perguntas. É como se ela nos enviasse mensageiros para ver como difamamos ela e o seu Reino dos Céus, e é dessa forma que podemos interpretar a questão acima.
Podemos compreender que tudo vem do Criador. Isso porque é sabido que os golpes que o corpo físico dá na pessoa com seus pensamentos estranhos, visto que eles não vêm até a pessoa que não se engaja no trabalho, mas estes golpes que vêm à pessoa numa sensação completa, a tal ponto que estes pensamentos esmagam sua mente, seguem-se de forma especificamente anterior à Tora e ao trabalho que vai além do usual. Isso é chamado pedras para se pesar.
Isso significa que estas pedras caem em nossa mente quando desejamos compreender essas questões. Mais tarde, pesamos a finalidade do nosso trabalho, se realmente vale a pena trabalhar a fim de doar, trabalhar com toda a nossa força e alma, e que todos os nossos desejos existirão apenas na expectativa de que o que há para se alcançar neste mundo é com a finalidade de trazer satisfação ao Criador, e não materialmente.
Naquele momento começa uma difícil discussão, uma vez que percebemos que existem argumentos de ambos os lados. As escrituras advertem sobre isso: "Não terás outros deuses diante de Mim". Não diga que outro deus lhe deu as pedras para pesar o seu trabalho, mas sim "diante de Mim".
Pelo contrário, devemos saber que isso é considerado "diante de Mim". Tanto é assim que perceberemos a verdadeira forma da base e do alicerce sobre a qual é construída a estrutura do trabalho.
O peso no trabalho existe principalmente porque são dois temas que se negam um ao outro. De um lado, deveríamos julgar que todo o nosso trabalho é para alcançar a Dvekut (Adesão) com o Criador, e que todos os nossos desejos serão apenas para darmos contentamento ao Criador, e não a nós próprios.
Por outro lado, percebemos que este não é o principal objetivo, uma vez que a finalidade da criação não era para que as criaturas dessem algo ao Criador, uma vez que Ele não tem nenhuma deficiência para que as criaturas Lhe dêem algo. Pelo contrário, a finalidade da criação é Seu desejo de fazer o bem a Suas criaturas, ou seja, que as criaturas recebam satisfação e prazer Dele.
Estas duas questões se contradizem de um extremo ao outro. De um lado devemos dar, e de outro devemos receber. Em outras palavras, há o discernimento da correção da criação, que é alcançar a Dvekut, compreendida como a equivalência de forma, sendo que todas as nossas ações serão apenas para doar. Depois, é possível alcançar a finalidade da criação, que consiste em receber prazer e satisfação do Criador.
Então, quando nos acostumamos a caminhar nas vias da doação, não temos, de qualquer modo, os vasos de recepção. Quando caminhamos nas vias da recepção, não possuímos vasos de doação.
Desse modo, através das "pedras para se pesar" adquirimos ambos os vasos. Isto porque após a negociação que tivemos durante o trabalho, quando vencemos e assumimos o encargo do Reino dos Céus sob a forma de doação em coração e mente, quando estamos prestes a atrair a Sublime Abundância, uma vez que já temos uma base sólida de que tudo deveria ser sob a forma de doação, então, mesmo quando recebemos alguma iluminação, já recebemos com o propósito de doar. Isto porque todo o fundamento deste trabalho é construído somente na doação. Isto é considerado que “recebemos com o propósito de doar”.
Leitura complementar: Não há Ninguém além do Criador.
23 de abr. de 2009
Livre Arbítrio
Autor: Rav Michael Laitman
Existe livre-arbítrio?
Uma antiga oração diz: “Senhor! Dê-me forças para mudar as coisas que posso mudar, dê-me coragem para aceitar as coisas que não posso mudar, e conceda-me sabedoria para saber a diferença”. O que exatamente podemos influenciar em nossas vidas? Nós possuímos liberdade o bastante para mudar nosso destino?
Por que não podemos obter naturalmente essa sabedoria? Por que, apesar do fato de que nossa natureza é baseada em preguiça e egoísmo saudável (desejo de receber o máximo através do mínimo esforço), diferente dos animais, realizamos ações impensadas e ineficazes?
Talvez nós agimos onde tudo é pré-programado, e nosso papel deve ser muito mais passivo? Talvez na maioria dos casos nossa vida é pré-ordenada, enquanto nós escolhemos acreditar que o rumo dos eventos depende de nós? Talvez nós deveríamos transformar nossa vida e parar de pensar que somos decisores, deixar fluir e permanecer passivo, agindo somente quando nós podemos realmente mudar algo?
Crianças pequenas agem desajuizadamente, porque o desenvolvimento delas ocorre inconscientemente, instintivamente. Um adulto define uma meta, e a vontade de alcançar tal meta fornece-lhe energia.
Evidentemente, nós erramos na determinação dos limites de nossas habilidades para alcançar a meta. Em outras palavras, nós desejamos alcançar o impossível ou tentar mudar o que não podemos.
A Natureza não nos informa em quais das nossas ações nós somos realmente livres. Ela nos permite cometer erros, tanto enquanto indivíduos como enquanto humanidade. O intuito dela é nos levar à desilusão quanto às nossas próprias forças para mudar qualquer coisa nessa vida e em nós mesmos. A Natureza quer nos confundir e desorientar quanto a como nós deveríamos viver? Então nós pararíamos e determinaríamos o que nós realmente podemos influenciar.
A Essência da Liberdade
De maneira geral, a liberdade pode ser referida como a lei da natureza, que transpassa todos os aspectos da vida. Nós vemos como animais sofrem em cativeiro. Isto testifica o protesto da natureza contra qualquer forma de escravidão. A humanidade lutou em guerras por centenas de anos até atingir algum grau de liberdade pessoal.
De qualquer forma, nossa idéia de liberdade é extremamente vaga, e se nós a sondarmos mais profundamente, não sobrará quase nada dela. Antes de demandarmos por liberdade pessoal, nós deveríamos presumir que cada pessoa aspira por isso. Primeiro nós precisamos ter certeza que essa ou aquela pessoa pode exercer seu livre-arbítrio.
Nossa Vida está Entre Prazer e Sofrimento
Se nós analisarmos as ações do homem, descobriremos que nenhuma delas é livre. Tanto sua natureza interior quanto circunstâncias exteriores o impelem a um algoritmo de comportamento arraigado nele.
A Natureza nos colocou entre prazer e sofrimento, e nós não somos livres para escolher o sofrimento e abandonar o prazer. Em relação aos animais, o homem tem a vantagem de ser capaz de ver o objetivo distante, dessa forma ele pode concordar com uma certa quantidade de sofrimento antecipando a compensação futura.
Na verdade, isto não é nada mais que um cálculo, quando, ao ver o benefício futuro, nós consentimos sofrer em prol do possível prazer. Nós concordamos com uma operação cirúrgica, até pagamos muito dinheiro por isso; nós estamos dispostos a trabalhar duro para adquirir uma profissão bem-remunerada. Tudo se resume ao nosso cálculo, quando nós subtraímos o sofrimento do prazer esperado e obtemos um certo resultado positivo.
Este é o modo que somos projetados. Aqueles que parecem descuidados, imprudentes, sentimentalistas que se auto-sacrificam são nada mais que pessoas que calculam, para quem o passado se manifesta no presente tão obviamente que eles estão dispostos a aceitar angústias incomuns para outros, o que nós consideramos um feito heróico.
Mas na verdade, até neste caso nosso corpo faz um cálculo consciente ou subconsciente. Psicólogos sabem que as prioridades de cada homem podem ser mudadas de forma que um covarde pode virar um herói. O futuro pode ser tão elevado aos olhos do homem que, em nome disso, ele concorda com qualquer tipo de destituição.
A partir disso, segue-se que não há diferença entre o homem e os animais; e então, não existe uma escolha livre e inteligente.
Quem determina nossos prazeres?
Não só temos nós dificilmente qualquer escolha livre, como o caráter do prazer também não é nossa prerrogativa. Ele não acontece de acordo com nosso livre-arbítrio, ele é ditado pelos desejos de outras pessoas. Nós não escolhemos a moda, o modo de viver, hobbies, lazer, comida e assim em diante – tudo isso é imposto a nós pelos gostos e desejos dos nossos arredores.
Nós preferimos trabalhar com desejos mais simples sem nos sobrecarregarmos demais, mas nossa vida inteira é compelida pelas maneiras aceitas como norma na sociedade, que se tornam leis do comportamento e da existência humana. Se é assim, onde está o nosso livre-arbítrio então? Acaba que nenhuma de nossas ações são recompensadas ou punidas.
Por que todos se percebem como um indivíduo? O que há de tão especial em cada um de nós? Qual das nossas propriedades podemos mudar independentemente? Se tal propriedade existe, nós devemos de todo jeito identificá-la, distingui-la das outras propriedades e desenvolvê-la.
Quatro Fatores
Cada ser criado é determinado por quatro fatores:
1. A base é um material primário de um ser em particular, da qual ele emergiu. As propriedades imutáveis da base são a ordem do seu desenvolvimento, ou seja, um decadente grão de trigo cria um novo broto do mesmo tipo. Um grão apodrece – sua forma exterior desaparece completamente, semelhante ao nosso corpo, que se desintegra no chão. No entanto, a base permanece e dá a luz a uma nova muda, como a nossa alma que compele um novo corpo a nascer para se vestir dele.
2. As propriedades imutáveis da base. A base (no nosso caso o grão de trigo) nunca ganhará a forma de outros cereais, como a cevada, mas somente a forma prévia do trigo que se perdeu. Dependendo do ambiente (solo, água, fertilização e o sol), certas mudanças quantitativas e qualitativas do broto são possíveis, mas a forma de trigo (ou seja, a essência original) não passa por nenhuma mudança.
3. As propriedades que mudam sob a influência de forças exteriores. Afetada por fatores externos, a forma exterior da essência sofre mudanças qualitativas – um grão continua a ser um grão, mas sua forma exterior é transformada de acordo com as condições ambientais. Fatores externos adicionais se juntam à essência e juntos eles geram uma nova qualidade sob a influência do ambiente. Isto pode ser o sol, o solo, fertilizantes ou água em relação a um grão, ou a sociedade, um grupo, livros e um professor em relação ao homem.
4. Mudanças nas forças exteriores. O home precisa dos arredores que desenvolvem e constantemente afetam seu desenvolvimento. Enquanto evolui, o homem por sua vez influencia seus arredores, compelindo a desenvolver-se. Desse modo eles se desenvolvem juntos simultaneamente.
Estes quatro fatores determinam o estado de cada ser criado. Mesmo se o homem passar o tempo todo procurando, ele não será capaz de mudar ou adicionar nada àquilo que os quatro fatores incluem. Tudo o que pensamos ou fazemos existe dentro desses quatro fatores. Qualquer adição será puramente quantitativa, enquanto qualitativamente permanecerá o mesmo. Esses fatores determinam energeticamente o nosso caráter e modo de pensar.
1. O homem não pode mudar sua essência.
2. Ele não pode mudar as leis de acordo com as quais a sua essência se transforma.
3. Ele não pode mudar as leis da transformação das suas propriedades interiores como resultado da influência exterior.
4. Os arredores, dos quais o homem depende totalmente, podem ser mudados!
Sendo capaz de influenciar seus arredores agora, o homem determina seu estado futuro. Os únicos fatores que seus arredores podem afetar são a velocidade e a qualidade do progresso do homem. Ele pode viver com a dor, medo, angústia e infinitos conflitos sangrentos pelo caminho, ou avançar de maneira calma e confortável, por ele mesmo aspirar à meta. É por isso que os Cabalistas nos incitam a abrir centros educacionais para formar grupos – os arredores ideais para todos aqueles que desejam alcançar o propósito da criação.
Escolha Livre
Apesar do fato de que nós não podemos determinar nossa base, quem e como nascer, nós podemos influenciar estes três primeiros fatores através da escolha dos nossos arredores, ou seja, amigos, livros e professores. No entanto, havendo escolhido o ambiente, nós o deixamos moldar nossas condições futuras.
Inicialmente há uma oportunidade de escolher livremente tais professores, livros e amigos que irão nos inspirar bons pensamentos. Se o homem não escolher, ele se encontrará naturalmente em arredores ruins lendo livros inúteis (que são diversos e são muito mais agradáveis), e, como resultado, ele definitivamente recebe uma educação pobre e fracassa em agir de forma correta na vida.
Disso se segue que recompensa ou punição é enviada ao homem não por seus maus pensamentos, onde ele não tem escolha livre, mas por não escolher um bom ambiente, uma vez que nisso o homem tem indubitavelmente uma oportunidade para escolher livremente. O homem deveria ser julgado e punido de forma que ele enxergaria: ele não é julgado pelos seus delitos, mas por escolher o ambiente errado.
Por isso, a pessoa que faz um esforço a cada momento para escolher um ambiente melhor, tem sucesso – não pelos seus pensamentos bons, mas por sua persistência em aprimorar os seus arredores que levam a esses pensamentos bons. Tal pessoa é recompensada com um melhor e mais avançado estado.
O Livro do Zohar dá um exemplo sobre um pobre homem, que foi convidado para se mudar para a casa de uma pessoa rica. Ele recusou dizendo: “De maneira nenhuma eu vou me acomodar num lugar onde não há nenhum sábio!” – “Mas você é o maior sábio da sua geração!” – exclamou o homem rico. – “De quem mais você vai aprender?” O homem sábio respondeu: "Até o mais sábio de todos se tornará um ignorante se ele se cercar de pessoas estúpidas."
Dessa forma, nós deveríamos seguir este bem-conhecido conselho: “Proveja para ti um mestre, adquira para ti um amigo”. Em outras palavras, nós devemos criar nosso ambiente, porque somente este fator pode nos levar ao sucesso. Havendo escolhido nossos arredores, nós nos tornamos totalmente dependentes, como argila nas mãos de um escultor.
Nós somos todos prisioneiros da nossa natureza egoísta. Nos libertarmos significa ir além dos limites do nosso mundo e adentrar a realidade superior. Uma vez que estamos totalmente sob o controle desse mundo, nós podemos nos libertar somente se, apesar do nosso ambiente naturalmente egoísta, nós artificialmente nos cercarmos com pessoas que compartilham dos nossos pontos de vista e aspirações, e enquadram-se no poder do ambiente governado pelas leis do mundo superior. Nos libertarmos das amarras egoístas e revelar a propriedade da outorga (de “dar”) é a nossa realização do livre-arbítrio.
Proteção contra os Três Fatores Restantes
O homem age automaticamente de acordo com a influência dos fatores internos e externos, apenas seguindo seus mandamentos.
Se ele desejar sair do controle da natureza, o homem tem que se expor à influência do ambiente que ele escolhe. Ele deveria escolher um Professor, um grupo e livros, de forma que eles ditariam a ele o que fazer, uma vez que ele é sempre uma derivação dos quatro parâmetros.
O poder da mente sobre o corpo
Ao descobrir que a mente do homem é um resultado de experiências da vida, nós podemos concluir que a mente não tem nenhum poder sobre o corpo, porque ela é um reflexo das circunstâncias e eventos da vida do homem; o poder para fazer o corpo se mover, dirigi-lo para coisas boas e mantê-lo longe de danos.
No entanto, a imaginação humana usa a mente como os olhos usam um microscópio. Havendo descoberto pequenos organismos nocivos com a ajuda de um microscópio, o homem começou a se distanciar deles. Dessa forma, um microscópio (e não as sensações humanas) permite a ele evitar a influência danosa (micróbios, bactérias, vírus), onde isto não é sentido.
Vemos que em alguns casos, quando o corpo não consegue detectar dano ou benefício, a mente se torna relevante e tem o controle completo sobre o corpo permitindo-o manter-se longe de coisas ruins e apegar-se a coisas boas.
Ao entender que a mente é o resultado de experiências da vida, o homem é capaz de aceitar a mente e a sabedoria de outra pessoa como lei, se ele confiar naquela pessoa.
Isto se assemelha à situação quando o homem pede conselho ao médico e, confiando na mente e na experiência do doutor, ele o segue, apesar do fato de que ele mesmo não sabe nada sobre medicina. Assim, ele usa a mente de outras pessoas, o que ajuda nada menos que a sua própria mente.
Dois modos de governo
Há dois meios de o governo divino que garantem o sucesso do homem em alcançar o propósito da criação:
1) O caminho do sofrimento.
2) O caminho da Cabala.
O caminho da Cabala consiste em contar com as mentes daqueles que já alcançaram o objetivo final, como se fosse nossa própria experiência de vida. Mas como posso ter certeza de que a mente na qual coloco minha fé é verdadeira? Por outro lado, se eu não uso a mente sábia do modo que eu sigo o conselho do médico, eu me condeno a um longo caminho de sofrimento, como um homem doente que se recusa a seguir as instruções do seu médico e começa a estudar medicina, sem saber que ele pode morrer muito antes de ter alguma idéia sobre o assunto.
Assim é o caminho do sofrimento em comparação ao caminho da Cabala. Aquele que não tem fé na sabedoria da Cabala pode tentar alcançar independentemente essa sabedoria passando por problemas na vida, enquanto existe a experiência que acelera tremendamente o processo, permite desenvolver a sensação da percepção do mal não por sua própria escolha, mas através dos esforços feitos para adquirir um bom ambiente.
Seguindo a maioria
Onde quer que haja um conflito entre a maioria e um indivíduo, nós devemos tomar uma decisão de acordo com a vontade da maioria. No entanto, esta lei causa o regresso da humanidade, uma vez que as massas estão em retrocesso, enquanto os mais desenvolvidos são sempre uma minoria.
Todavia, uma vez que a natureza nos colocou numa sociedade, nós somos obrigados a obedecer todas as leis sociais, de outra maneira a natureza nos punirá, independente de entendermos ou não as suas leis. Dessa forma, a lei da convivência é considerada uma das leis da natureza e nós devemos obedecê-la com muito cuidado.
Esta lei deve desenvolver a compreensão de: amor-próprio como mal e amor pelos outros como bem, pois esta é a única forma de amar o Criador.
No entanto, a maioria não tem o direito de reprimir a opinião de um indivíduo em sua relação com o Criador, e todos são livres para fazer o que acreditam ser o certo. É disso que se trata a sua liberdade pessoal, ou seja, as relações do homem com o Criador são reguladas por ele mesmo, enquanto as outras leis de comportamento são ditadas pela regra “siga a maioria”.
A lei da sociedade afirma: a minoria deve submeter-se à maioria.
Baseado nisso, no entanto, a maioria tomou o direito de reprimir a liberdade pessoal de um indivíduo? Frente a esta situação, isso não é nada mais do que coação.
Uma vez que a natureza nos compele a viver em sociedade, não precisa ser dito que cada um de seus membros é obrigado a servir a sociedade, tomar conta dela e contribuir para a sua prosperidade.
Isto é impossível a não ser que a lei de “submissão” seja obedecida, ou seja, todos devem obedecer a lei aceita na sua sociedade.
Mas é um tanto claro que em todos os casos, quando os interesses materiais da sociedade não são usurpados, a maioria não tem o direito de limitar a liberdade de um indivíduo de forma alguma. Aqueles que o fazem são criminosos que preferem a força à justiça, pois nesse caso a natureza não compele o homem a se submeter à vontade da maioria.
Em qualquer geração há indivíduos mais desenvolvidos que as massas. Se a sociedade começar a se desenvolver de acordo com as leis da natureza e compreender a necessidade de ser salva de sofrimentos, ela deverá se submeter a um indivíduo e seguir as suas instruções.
Dessa forma, o que quer que se refira ao desenvolvimento espiritual, o direito da maioria se transforma no seu dever de seguir um indivíduo, ou seja, uma personalidade altamente evoluída. Tais pessoas avançadas e educadas formam uma parte significante da sociedade; assim, todas as conquistas e importantes descobertas na espera da espiritualidade são determinadas pela minoria.
Disso se segue que a sociedade deve preservar cuidadosamente as idéias de tais pessoas. A sociedade deveria estar alerta para o fato de que esta salvação não está nas mãos da maioria dominante, mas repousa nos indivíduos iluminados.
Epílogo
Acumulando experiências, a humanidade gradualmente chega à conclusão de que, apesar de todos os seus esforços para mudar o curso da história e o desenvolvimento da sociedade, a vida toma o seu próprio rumo, e tudo acontece de acordo com um cenário que não depende de nós. Então estamos condenados pelo destino?
O estudo do universo usando o método Cabalista revela que a essência do homem consiste em três partes:
- a primeira – animal – parte que é expressa em desejos corporais por comida, sexo, família, lar; presente em todas as pessoas independentemente do seu ambiente.
- a segunda – humana – parte expressa em desejos por riqueza, honra (fama, poder), conhecimento, que dependem da sociedade;
- a terceira – espiritual – parte que cria em nós uma aspiração pelo mundo superior (ela surge de uma sensação de morte, vazio na vida, ignorância da fonte da existência).
O homem nasce neste mundo para descobrir a realidade superior no curso de sua vida. Então ele existe em ambos os mundos e, depois que seu corpo morre, sente o mundo espiritual o tanto quanto ele pôde senti-lo enquanto vivendo no seu corpo físico. Se o homem fracassar em entrar no mundo espiritual ao longo de sua vida, sua alma descende a este mundo novamente, encarna num novo corpo biológico com o mesmo objetivo. A alma pode revelar o mundo superior somente enquanto estiver num corpo físico.
A partir disso, fica claro que
- este mundo inteiro e nossa existência nele são designados apenas para nos ajudar a descobrir o mundo superior;
- a primeira (animal) e a segunda (humana) parte do homem não existem em nós por conta própria, o papel delas é determinado pelo quanto elas contribuem para a realização da terceira parte (espiritual), ou seja, como elas nos auxiliam a cumprir nossa missão, que consiste na revelação do domínio espiritual enquanto vivemos neste mundo. As ações do homem são avaliadas somente à medida da sua conexão com o avanço espiritual, pois é a parte espiritual que precisa ser transformada.
- a primeira e a segunda parte em nós não mudam por conta própria. Tampouco dependem dos nossos desejos. A realização da terceira parte (espiritual) determina as transformações delas.
- nossas ações relacionadas à primeira e à segunda parte não são livres, elas são programadas pela natureza e compõem um quadro rígido da nossa estrutura. Ao escolher como nos desenvolver espiritualmente, nós determinamos nossos estados em ambas primeira e segunda parte (animal e humana), e definitivamente na terceira.
- ao recusar realizar atos fúteis e sem sentido relacionados aos nossos desejos animais e humanos, e ao concentrar todos os esforços na revelação da realidade superior, o homem adquire a habilidade de controlar tudo neste mundo (em ambas primeira e segunda partes). Em outras palavras, a estrada para governar este mundo é alcançável através do mundo superior, visto que todos os sinais, todos os eventos descendem do alto até tomarem sua forma final neste mundo.
Este artigo demonstra quão pré-determinadas são as ações do homem e os estados neste mundo; todos menos um, que determina tudo mais – a aspiração ao mundo superior, à sua revelação, a dominar as leis da Divina Providência.
Tradução de: Freedom of Will
Existe livre-arbítrio?
Uma antiga oração diz: “Senhor! Dê-me forças para mudar as coisas que posso mudar, dê-me coragem para aceitar as coisas que não posso mudar, e conceda-me sabedoria para saber a diferença”. O que exatamente podemos influenciar em nossas vidas? Nós possuímos liberdade o bastante para mudar nosso destino?
Por que não podemos obter naturalmente essa sabedoria? Por que, apesar do fato de que nossa natureza é baseada em preguiça e egoísmo saudável (desejo de receber o máximo através do mínimo esforço), diferente dos animais, realizamos ações impensadas e ineficazes?
Talvez nós agimos onde tudo é pré-programado, e nosso papel deve ser muito mais passivo? Talvez na maioria dos casos nossa vida é pré-ordenada, enquanto nós escolhemos acreditar que o rumo dos eventos depende de nós? Talvez nós deveríamos transformar nossa vida e parar de pensar que somos decisores, deixar fluir e permanecer passivo, agindo somente quando nós podemos realmente mudar algo?
Crianças pequenas agem desajuizadamente, porque o desenvolvimento delas ocorre inconscientemente, instintivamente. Um adulto define uma meta, e a vontade de alcançar tal meta fornece-lhe energia.
Evidentemente, nós erramos na determinação dos limites de nossas habilidades para alcançar a meta. Em outras palavras, nós desejamos alcançar o impossível ou tentar mudar o que não podemos.
A Natureza não nos informa em quais das nossas ações nós somos realmente livres. Ela nos permite cometer erros, tanto enquanto indivíduos como enquanto humanidade. O intuito dela é nos levar à desilusão quanto às nossas próprias forças para mudar qualquer coisa nessa vida e em nós mesmos. A Natureza quer nos confundir e desorientar quanto a como nós deveríamos viver? Então nós pararíamos e determinaríamos o que nós realmente podemos influenciar.
A Essência da Liberdade
De maneira geral, a liberdade pode ser referida como a lei da natureza, que transpassa todos os aspectos da vida. Nós vemos como animais sofrem em cativeiro. Isto testifica o protesto da natureza contra qualquer forma de escravidão. A humanidade lutou em guerras por centenas de anos até atingir algum grau de liberdade pessoal.
De qualquer forma, nossa idéia de liberdade é extremamente vaga, e se nós a sondarmos mais profundamente, não sobrará quase nada dela. Antes de demandarmos por liberdade pessoal, nós deveríamos presumir que cada pessoa aspira por isso. Primeiro nós precisamos ter certeza que essa ou aquela pessoa pode exercer seu livre-arbítrio.
Nossa Vida está Entre Prazer e Sofrimento
Se nós analisarmos as ações do homem, descobriremos que nenhuma delas é livre. Tanto sua natureza interior quanto circunstâncias exteriores o impelem a um algoritmo de comportamento arraigado nele.
A Natureza nos colocou entre prazer e sofrimento, e nós não somos livres para escolher o sofrimento e abandonar o prazer. Em relação aos animais, o homem tem a vantagem de ser capaz de ver o objetivo distante, dessa forma ele pode concordar com uma certa quantidade de sofrimento antecipando a compensação futura.
Na verdade, isto não é nada mais que um cálculo, quando, ao ver o benefício futuro, nós consentimos sofrer em prol do possível prazer. Nós concordamos com uma operação cirúrgica, até pagamos muito dinheiro por isso; nós estamos dispostos a trabalhar duro para adquirir uma profissão bem-remunerada. Tudo se resume ao nosso cálculo, quando nós subtraímos o sofrimento do prazer esperado e obtemos um certo resultado positivo.
Este é o modo que somos projetados. Aqueles que parecem descuidados, imprudentes, sentimentalistas que se auto-sacrificam são nada mais que pessoas que calculam, para quem o passado se manifesta no presente tão obviamente que eles estão dispostos a aceitar angústias incomuns para outros, o que nós consideramos um feito heróico.
Mas na verdade, até neste caso nosso corpo faz um cálculo consciente ou subconsciente. Psicólogos sabem que as prioridades de cada homem podem ser mudadas de forma que um covarde pode virar um herói. O futuro pode ser tão elevado aos olhos do homem que, em nome disso, ele concorda com qualquer tipo de destituição.
A partir disso, segue-se que não há diferença entre o homem e os animais; e então, não existe uma escolha livre e inteligente.
Quem determina nossos prazeres?
Não só temos nós dificilmente qualquer escolha livre, como o caráter do prazer também não é nossa prerrogativa. Ele não acontece de acordo com nosso livre-arbítrio, ele é ditado pelos desejos de outras pessoas. Nós não escolhemos a moda, o modo de viver, hobbies, lazer, comida e assim em diante – tudo isso é imposto a nós pelos gostos e desejos dos nossos arredores.
Nós preferimos trabalhar com desejos mais simples sem nos sobrecarregarmos demais, mas nossa vida inteira é compelida pelas maneiras aceitas como norma na sociedade, que se tornam leis do comportamento e da existência humana. Se é assim, onde está o nosso livre-arbítrio então? Acaba que nenhuma de nossas ações são recompensadas ou punidas.
Por que todos se percebem como um indivíduo? O que há de tão especial em cada um de nós? Qual das nossas propriedades podemos mudar independentemente? Se tal propriedade existe, nós devemos de todo jeito identificá-la, distingui-la das outras propriedades e desenvolvê-la.
Quatro Fatores
Cada ser criado é determinado por quatro fatores:
1. A base é um material primário de um ser em particular, da qual ele emergiu. As propriedades imutáveis da base são a ordem do seu desenvolvimento, ou seja, um decadente grão de trigo cria um novo broto do mesmo tipo. Um grão apodrece – sua forma exterior desaparece completamente, semelhante ao nosso corpo, que se desintegra no chão. No entanto, a base permanece e dá a luz a uma nova muda, como a nossa alma que compele um novo corpo a nascer para se vestir dele.
2. As propriedades imutáveis da base. A base (no nosso caso o grão de trigo) nunca ganhará a forma de outros cereais, como a cevada, mas somente a forma prévia do trigo que se perdeu. Dependendo do ambiente (solo, água, fertilização e o sol), certas mudanças quantitativas e qualitativas do broto são possíveis, mas a forma de trigo (ou seja, a essência original) não passa por nenhuma mudança.
3. As propriedades que mudam sob a influência de forças exteriores. Afetada por fatores externos, a forma exterior da essência sofre mudanças qualitativas – um grão continua a ser um grão, mas sua forma exterior é transformada de acordo com as condições ambientais. Fatores externos adicionais se juntam à essência e juntos eles geram uma nova qualidade sob a influência do ambiente. Isto pode ser o sol, o solo, fertilizantes ou água em relação a um grão, ou a sociedade, um grupo, livros e um professor em relação ao homem.
4. Mudanças nas forças exteriores. O home precisa dos arredores que desenvolvem e constantemente afetam seu desenvolvimento. Enquanto evolui, o homem por sua vez influencia seus arredores, compelindo a desenvolver-se. Desse modo eles se desenvolvem juntos simultaneamente.
Estes quatro fatores determinam o estado de cada ser criado. Mesmo se o homem passar o tempo todo procurando, ele não será capaz de mudar ou adicionar nada àquilo que os quatro fatores incluem. Tudo o que pensamos ou fazemos existe dentro desses quatro fatores. Qualquer adição será puramente quantitativa, enquanto qualitativamente permanecerá o mesmo. Esses fatores determinam energeticamente o nosso caráter e modo de pensar.
1. O homem não pode mudar sua essência.
2. Ele não pode mudar as leis de acordo com as quais a sua essência se transforma.
3. Ele não pode mudar as leis da transformação das suas propriedades interiores como resultado da influência exterior.
4. Os arredores, dos quais o homem depende totalmente, podem ser mudados!
Sendo capaz de influenciar seus arredores agora, o homem determina seu estado futuro. Os únicos fatores que seus arredores podem afetar são a velocidade e a qualidade do progresso do homem. Ele pode viver com a dor, medo, angústia e infinitos conflitos sangrentos pelo caminho, ou avançar de maneira calma e confortável, por ele mesmo aspirar à meta. É por isso que os Cabalistas nos incitam a abrir centros educacionais para formar grupos – os arredores ideais para todos aqueles que desejam alcançar o propósito da criação.
Escolha Livre
Apesar do fato de que nós não podemos determinar nossa base, quem e como nascer, nós podemos influenciar estes três primeiros fatores através da escolha dos nossos arredores, ou seja, amigos, livros e professores. No entanto, havendo escolhido o ambiente, nós o deixamos moldar nossas condições futuras.
Inicialmente há uma oportunidade de escolher livremente tais professores, livros e amigos que irão nos inspirar bons pensamentos. Se o homem não escolher, ele se encontrará naturalmente em arredores ruins lendo livros inúteis (que são diversos e são muito mais agradáveis), e, como resultado, ele definitivamente recebe uma educação pobre e fracassa em agir de forma correta na vida.
Disso se segue que recompensa ou punição é enviada ao homem não por seus maus pensamentos, onde ele não tem escolha livre, mas por não escolher um bom ambiente, uma vez que nisso o homem tem indubitavelmente uma oportunidade para escolher livremente. O homem deveria ser julgado e punido de forma que ele enxergaria: ele não é julgado pelos seus delitos, mas por escolher o ambiente errado.
Por isso, a pessoa que faz um esforço a cada momento para escolher um ambiente melhor, tem sucesso – não pelos seus pensamentos bons, mas por sua persistência em aprimorar os seus arredores que levam a esses pensamentos bons. Tal pessoa é recompensada com um melhor e mais avançado estado.
O Livro do Zohar dá um exemplo sobre um pobre homem, que foi convidado para se mudar para a casa de uma pessoa rica. Ele recusou dizendo: “De maneira nenhuma eu vou me acomodar num lugar onde não há nenhum sábio!” – “Mas você é o maior sábio da sua geração!” – exclamou o homem rico. – “De quem mais você vai aprender?” O homem sábio respondeu: "Até o mais sábio de todos se tornará um ignorante se ele se cercar de pessoas estúpidas."
Dessa forma, nós deveríamos seguir este bem-conhecido conselho: “Proveja para ti um mestre, adquira para ti um amigo”. Em outras palavras, nós devemos criar nosso ambiente, porque somente este fator pode nos levar ao sucesso. Havendo escolhido nossos arredores, nós nos tornamos totalmente dependentes, como argila nas mãos de um escultor.
Nós somos todos prisioneiros da nossa natureza egoísta. Nos libertarmos significa ir além dos limites do nosso mundo e adentrar a realidade superior. Uma vez que estamos totalmente sob o controle desse mundo, nós podemos nos libertar somente se, apesar do nosso ambiente naturalmente egoísta, nós artificialmente nos cercarmos com pessoas que compartilham dos nossos pontos de vista e aspirações, e enquadram-se no poder do ambiente governado pelas leis do mundo superior. Nos libertarmos das amarras egoístas e revelar a propriedade da outorga (de “dar”) é a nossa realização do livre-arbítrio.
Proteção contra os Três Fatores Restantes
O homem age automaticamente de acordo com a influência dos fatores internos e externos, apenas seguindo seus mandamentos.
Se ele desejar sair do controle da natureza, o homem tem que se expor à influência do ambiente que ele escolhe. Ele deveria escolher um Professor, um grupo e livros, de forma que eles ditariam a ele o que fazer, uma vez que ele é sempre uma derivação dos quatro parâmetros.
O poder da mente sobre o corpo
Ao descobrir que a mente do homem é um resultado de experiências da vida, nós podemos concluir que a mente não tem nenhum poder sobre o corpo, porque ela é um reflexo das circunstâncias e eventos da vida do homem; o poder para fazer o corpo se mover, dirigi-lo para coisas boas e mantê-lo longe de danos.
No entanto, a imaginação humana usa a mente como os olhos usam um microscópio. Havendo descoberto pequenos organismos nocivos com a ajuda de um microscópio, o homem começou a se distanciar deles. Dessa forma, um microscópio (e não as sensações humanas) permite a ele evitar a influência danosa (micróbios, bactérias, vírus), onde isto não é sentido.
Vemos que em alguns casos, quando o corpo não consegue detectar dano ou benefício, a mente se torna relevante e tem o controle completo sobre o corpo permitindo-o manter-se longe de coisas ruins e apegar-se a coisas boas.
Ao entender que a mente é o resultado de experiências da vida, o homem é capaz de aceitar a mente e a sabedoria de outra pessoa como lei, se ele confiar naquela pessoa.
Isto se assemelha à situação quando o homem pede conselho ao médico e, confiando na mente e na experiência do doutor, ele o segue, apesar do fato de que ele mesmo não sabe nada sobre medicina. Assim, ele usa a mente de outras pessoas, o que ajuda nada menos que a sua própria mente.
Dois modos de governo
Há dois meios de o governo divino que garantem o sucesso do homem em alcançar o propósito da criação:
1) O caminho do sofrimento.
2) O caminho da Cabala.
O caminho da Cabala consiste em contar com as mentes daqueles que já alcançaram o objetivo final, como se fosse nossa própria experiência de vida. Mas como posso ter certeza de que a mente na qual coloco minha fé é verdadeira? Por outro lado, se eu não uso a mente sábia do modo que eu sigo o conselho do médico, eu me condeno a um longo caminho de sofrimento, como um homem doente que se recusa a seguir as instruções do seu médico e começa a estudar medicina, sem saber que ele pode morrer muito antes de ter alguma idéia sobre o assunto.
Assim é o caminho do sofrimento em comparação ao caminho da Cabala. Aquele que não tem fé na sabedoria da Cabala pode tentar alcançar independentemente essa sabedoria passando por problemas na vida, enquanto existe a experiência que acelera tremendamente o processo, permite desenvolver a sensação da percepção do mal não por sua própria escolha, mas através dos esforços feitos para adquirir um bom ambiente.
Seguindo a maioria
Onde quer que haja um conflito entre a maioria e um indivíduo, nós devemos tomar uma decisão de acordo com a vontade da maioria. No entanto, esta lei causa o regresso da humanidade, uma vez que as massas estão em retrocesso, enquanto os mais desenvolvidos são sempre uma minoria.
Todavia, uma vez que a natureza nos colocou numa sociedade, nós somos obrigados a obedecer todas as leis sociais, de outra maneira a natureza nos punirá, independente de entendermos ou não as suas leis. Dessa forma, a lei da convivência é considerada uma das leis da natureza e nós devemos obedecê-la com muito cuidado.
Esta lei deve desenvolver a compreensão de: amor-próprio como mal e amor pelos outros como bem, pois esta é a única forma de amar o Criador.
No entanto, a maioria não tem o direito de reprimir a opinião de um indivíduo em sua relação com o Criador, e todos são livres para fazer o que acreditam ser o certo. É disso que se trata a sua liberdade pessoal, ou seja, as relações do homem com o Criador são reguladas por ele mesmo, enquanto as outras leis de comportamento são ditadas pela regra “siga a maioria”.
A lei da sociedade afirma: a minoria deve submeter-se à maioria.
Baseado nisso, no entanto, a maioria tomou o direito de reprimir a liberdade pessoal de um indivíduo? Frente a esta situação, isso não é nada mais do que coação.
Uma vez que a natureza nos compele a viver em sociedade, não precisa ser dito que cada um de seus membros é obrigado a servir a sociedade, tomar conta dela e contribuir para a sua prosperidade.
Isto é impossível a não ser que a lei de “submissão” seja obedecida, ou seja, todos devem obedecer a lei aceita na sua sociedade.
Mas é um tanto claro que em todos os casos, quando os interesses materiais da sociedade não são usurpados, a maioria não tem o direito de limitar a liberdade de um indivíduo de forma alguma. Aqueles que o fazem são criminosos que preferem a força à justiça, pois nesse caso a natureza não compele o homem a se submeter à vontade da maioria.
Em qualquer geração há indivíduos mais desenvolvidos que as massas. Se a sociedade começar a se desenvolver de acordo com as leis da natureza e compreender a necessidade de ser salva de sofrimentos, ela deverá se submeter a um indivíduo e seguir as suas instruções.
Dessa forma, o que quer que se refira ao desenvolvimento espiritual, o direito da maioria se transforma no seu dever de seguir um indivíduo, ou seja, uma personalidade altamente evoluída. Tais pessoas avançadas e educadas formam uma parte significante da sociedade; assim, todas as conquistas e importantes descobertas na espera da espiritualidade são determinadas pela minoria.
Disso se segue que a sociedade deve preservar cuidadosamente as idéias de tais pessoas. A sociedade deveria estar alerta para o fato de que esta salvação não está nas mãos da maioria dominante, mas repousa nos indivíduos iluminados.
Epílogo
Acumulando experiências, a humanidade gradualmente chega à conclusão de que, apesar de todos os seus esforços para mudar o curso da história e o desenvolvimento da sociedade, a vida toma o seu próprio rumo, e tudo acontece de acordo com um cenário que não depende de nós. Então estamos condenados pelo destino?
O estudo do universo usando o método Cabalista revela que a essência do homem consiste em três partes:
- a primeira – animal – parte que é expressa em desejos corporais por comida, sexo, família, lar; presente em todas as pessoas independentemente do seu ambiente.
- a segunda – humana – parte expressa em desejos por riqueza, honra (fama, poder), conhecimento, que dependem da sociedade;
- a terceira – espiritual – parte que cria em nós uma aspiração pelo mundo superior (ela surge de uma sensação de morte, vazio na vida, ignorância da fonte da existência).
O homem nasce neste mundo para descobrir a realidade superior no curso de sua vida. Então ele existe em ambos os mundos e, depois que seu corpo morre, sente o mundo espiritual o tanto quanto ele pôde senti-lo enquanto vivendo no seu corpo físico. Se o homem fracassar em entrar no mundo espiritual ao longo de sua vida, sua alma descende a este mundo novamente, encarna num novo corpo biológico com o mesmo objetivo. A alma pode revelar o mundo superior somente enquanto estiver num corpo físico.
A partir disso, fica claro que
- este mundo inteiro e nossa existência nele são designados apenas para nos ajudar a descobrir o mundo superior;
- a primeira (animal) e a segunda (humana) parte do homem não existem em nós por conta própria, o papel delas é determinado pelo quanto elas contribuem para a realização da terceira parte (espiritual), ou seja, como elas nos auxiliam a cumprir nossa missão, que consiste na revelação do domínio espiritual enquanto vivemos neste mundo. As ações do homem são avaliadas somente à medida da sua conexão com o avanço espiritual, pois é a parte espiritual que precisa ser transformada.
- a primeira e a segunda parte em nós não mudam por conta própria. Tampouco dependem dos nossos desejos. A realização da terceira parte (espiritual) determina as transformações delas.
- nossas ações relacionadas à primeira e à segunda parte não são livres, elas são programadas pela natureza e compõem um quadro rígido da nossa estrutura. Ao escolher como nos desenvolver espiritualmente, nós determinamos nossos estados em ambas primeira e segunda parte (animal e humana), e definitivamente na terceira.
- ao recusar realizar atos fúteis e sem sentido relacionados aos nossos desejos animais e humanos, e ao concentrar todos os esforços na revelação da realidade superior, o homem adquire a habilidade de controlar tudo neste mundo (em ambas primeira e segunda partes). Em outras palavras, a estrada para governar este mundo é alcançável através do mundo superior, visto que todos os sinais, todos os eventos descendem do alto até tomarem sua forma final neste mundo.
Este artigo demonstra quão pré-determinadas são as ações do homem e os estados neste mundo; todos menos um, que determina tudo mais – a aspiração ao mundo superior, à sua revelação, a dominar as leis da Divina Providência.
Tradução de: Freedom of Will
20 de abr. de 2009
A Perfeição e o Mundo
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Autor: Rav Michael Laitman
Sabemos que a essência dos mandamentos do Criador está no amor. Deveríamos dar a máxima atenção e compaixão a todas as pessoas da sociedade, da mesma forma que fazemos para nós mesmos. Tentemos ver se podemos empregar isso na fé.
Talvez seja possível verificar isso na prática. Creio que o leitor compreenderá minha aversão a especulações sem conteúdo. A nossa geração sabe melhor do que outras como essas falsas filosofias podem ser aplicadas na prática. Assim, milhares de pessoas podem sofrer só porque algumas idéias teóricas, tidas como fundamentais, resultam falsas e/ou enganosas. Assim, toda a teoria pode desmoronar.
É possível que, estudando o mundo e suas leis, e baseando nossas conclusões em fatos, possamos chegar à conclusão de que é necessário seguir as exigências do Criador.
Quando observamos a ordem existente na natureza, ficamos impressionados com o incrível controle manifestado (tanto no micro como no macrocosmo). Vamos tomar como exemplo algo próximo a nós – o próprio homem.
Uma célula paterna chega a um local seguro e protegido na mãe, onde recebe tudo o que precisa para o seu crescimento e desenvolvimento. Nada pode feri-la até que nasça e se torne um organismo separado. Mais tarde, a natureza dá aos pais o sentimento necessário por seu bebê. Dessa forma, a criança está totalmente segura do amor e do cuidado daqueles que a rodeiam.
Assim como o homem, os animais e plantas também cuidam de sua prole e de suas próximas gerações. No entanto, o novo organismo, depois que nasce, tem de iniciar uma luta pela sobrevivência, que aumenta com o tempo. Isto contrasta com o calor e os cuidados que o rodeiam no início. Esta incrível contradição a respeito do controle deste mundo tem ocupado as mentes da humanidade desde tempos remotos, provocando a criação de muitas teorias.
EVOLUÇÃO. Esta antiga teoria não considera necessário resolver a contradição. O Criador fez o mundo e controla tudo. Mas como, segundo os evolucionistas, carece de sentimentos e/ou pensamentos, Ele cria cada espécie de acordo com as rigorosas leis físicas. Após surgirem, as espécies se desenvolvem segundo a evolução, aderindo ao rigoroso princípio da "sobrevivência do mais forte". Segundo esta teoria o Criador é chamado "natureza", enfatizando assim sua falta de sentimentos e emoções.
DUALISMO. Sabemos que a incrível sabedoria da natureza excede em muito as possibilidades humanas. Portanto, prever e "programar" futuras criações e organismos deve incluir algum tipo de “feedback” (retroalimentação). Além disso, o lado que está dando (a natureza) deve ter intelecto, memória e sentimentos, porque é impossível afirmar que apenas o acaso reine em todos os níveis de natureza.
Seguindo esta corrente de pensamento se chega à idéia da existência de duas forças: uma positiva e outra negativa. Ambas têm intelecto e sentimentos e transmitem estas qualidades a tudo que criam. O desenvolvimento desta teoria do dualismo ocasionou a criação de algumas outras.
"Muitos deuses". Ao analisar as ações da natureza e classificá-las segundo diferentes características, surgiram certas religiões (como a grega antiga) com vários deuses. Segundo esta crença, cada deus controla uma determinada força, uma determinada área...
A falta de controle (descontrole). Recentemente, com o surgimento de novos instrumentos e métodos tecnológicos, muitos cientistas descobriram uma ligação entre várias áreas de nosso mundo. Assim, abandonou-se a teoria do controle do mundo por "muitas forças", surgindo algumas idéias novas. Basicamente, a idéia é que deve haver uma força que nos une e que controla sabiamente o mundo inteiro. Visto que a humanidade é muito pequena e insignificante em comparação com esta força, somos abandonados (como humanidade) a nossos próprios recursos.
No entanto, apesar de todas as teorias da criação deste mundo e de seu controle, a humanidade ainda sofre. E o homem ainda não entende porque a natureza, que o tratou com tanta ternura e cuidado no útero materno, torna-se depois tão impiedosa. Ao envelhecer, ele parece precisar ainda mais do cuidado da natureza. E surge uma pergunta: Não seremos nós a principal causa da crueldade da natureza para com o mundo vivente?
Todas as ações de natureza estão entrelaçadas. Portanto, quando infringimos uma de suas regras, todo o sistema se desequilibra. Não importa se falamos da Natureza como "líder", ou de um Criador muito sábio com determinado plano e objetivo.
A Natureza, ou o Criador (distinção irrelevante em princípio), age sobre nós por meio de certas leis e regras. Devemos obedecê-las, pois são objetivas e coercivas (casualmente, segundo a Cabalá, o valor numérico da palavra "Elohim"/Deus é igual ao valor numérico da palavra "Tevah"/Natureza. Isto demonstra o elo entre nós e o Criador mediante as leis da natureza). É importante que compreendamos as leis da natureza. Sabemos que se não as observarmos, sofreremos. É óbvio que o homem necessita da companhia de outras pessoas. Se alguém decidisse repentinamente se isolar da sociedade, condenar-se-ia a uma vida cheia de sofrimento. Não poderia prover-se de todas as coisas que necessita.
É a própria Natureza que faz o homem viver em sociedade, com seus semelhantes. Nesta vida ele se vê envolvido em duas operações: "obtém" da sociedade tudo o que necessita e, por outro lado, tem que "dar" para garantir sua produção e seu trabalho à sociedade. Quem quebra um desses compromissos também provoca um desequilíbrio e merece ser punido pela sociedade. Quando alguém é culpado de "obter" em excesso (roubando, por exemplo!), o castigo surge imediatamente. Mas, por outro lado, quando alguém se nega a “dar” de si à sociedade, o castigo normalmente não ocorre. Então, esta condição de “dar” seus talentos e habilidades à sociedade geralmente não se cumpre.
Por outro lado, a Natureza age como um juiz, punindo a humanidade de acordo com seu desenvolvimento. Segundo a Tora, o processo de transformação das gerações no nosso mundo significa apenas o surgimento e desaparecimento dos corpos das pessoas. A alma, por outro lado, preenche o corpo e é o "Eu" principal da pessoa. Ela carrega seus desejos, seu caráter e seus pensamentos escritos num "transportador" material – as células cerebrais. Esta alma não desaparece, mas apenas muda o transportador. O número de almas é limitado (constante). A rotação e a descida delas ao nosso mundo, “vestidas” em novos corpos, constituem uma nova geração humana.
Assim como ocorre com as almas, todas as gerações, da primeira à última, podem ser consideradas como uma única geração. Sua vida remonta ao momento do nascimento da humanidade, há alguns milênios atrás, e continuará até a morte desta, sem levar em conta quantas formas diferentes cada alma assumirá em diferentes corpos. A morte não afeta a alma, pois esta é composta de uma "matéria superior", da mesma forma que cortar nossos cabelos e unhas não afeta nosso corpo nem sua vida.
Após criar e nos entregar seus mundos, o Criador nos deu uma tarefa: devemos nos esforçar para encontrá-Lo e convergir com Ele. Isto deve ser feito através do crescimento espiritual, unindo-nos e nos elevando a nós mesmos. Mas surge uma grande questão: A humanidade deve obedecer a vontade do Criador? A Cabalá revela o quadro completo das distintas formas pelas quais somos controlados, e o resultado é surpreendente. Acontece que, seja através do livre-arbítrio ou do sofrimento, chegaremos finalmente à mesma conclusão. Pode acontecer nesta vida ou na próxima, pode acontecer por influência de forças físicas, sociais ou econômicas. Mais cedo ou mais tarde cada um de nós e, finalmente, toda a humanidade, terão de aceitar a idéia: a meta e o propósito da Criação devem ser nossa meta e propósito de vida!
Ao final de todas as gerações, todos alcançarão esta meta. A única diferença é o caminho escolhido para alcançá-la. A pessoa que se esforça para alcançar esta meta se beneficiará duplamente. Ela recebe prazer como resultado de sua "convergência" com o Criador e isso ocorre no lugar do sofrimento. O surpreendente é que a humanidade ainda não imagina todas as desgraças que terá que enfrentar. Sabemos que o objetivo a ser conquistado já está definido e as leis da Tora são imutáveis. Assim, seja por nosso próprio sofrimento pessoal ou por alguma catástrofe climática sazonal, cada um de nós é conduzido para a idéia correta. Devemos seguir os mandamentos do Criador. Devemos nos libertar do egoísmo e da inveja, e desenvolver os sentimentos de compaixão, ajuda mútua e amor.
Tradução de: Perfection and the World
Autor: Rav Michael Laitman
Sabemos que a essência dos mandamentos do Criador está no amor. Deveríamos dar a máxima atenção e compaixão a todas as pessoas da sociedade, da mesma forma que fazemos para nós mesmos. Tentemos ver se podemos empregar isso na fé.
Talvez seja possível verificar isso na prática. Creio que o leitor compreenderá minha aversão a especulações sem conteúdo. A nossa geração sabe melhor do que outras como essas falsas filosofias podem ser aplicadas na prática. Assim, milhares de pessoas podem sofrer só porque algumas idéias teóricas, tidas como fundamentais, resultam falsas e/ou enganosas. Assim, toda a teoria pode desmoronar.
É possível que, estudando o mundo e suas leis, e baseando nossas conclusões em fatos, possamos chegar à conclusão de que é necessário seguir as exigências do Criador.
Quando observamos a ordem existente na natureza, ficamos impressionados com o incrível controle manifestado (tanto no micro como no macrocosmo). Vamos tomar como exemplo algo próximo a nós – o próprio homem.
Uma célula paterna chega a um local seguro e protegido na mãe, onde recebe tudo o que precisa para o seu crescimento e desenvolvimento. Nada pode feri-la até que nasça e se torne um organismo separado. Mais tarde, a natureza dá aos pais o sentimento necessário por seu bebê. Dessa forma, a criança está totalmente segura do amor e do cuidado daqueles que a rodeiam.
Assim como o homem, os animais e plantas também cuidam de sua prole e de suas próximas gerações. No entanto, o novo organismo, depois que nasce, tem de iniciar uma luta pela sobrevivência, que aumenta com o tempo. Isto contrasta com o calor e os cuidados que o rodeiam no início. Esta incrível contradição a respeito do controle deste mundo tem ocupado as mentes da humanidade desde tempos remotos, provocando a criação de muitas teorias.
EVOLUÇÃO. Esta antiga teoria não considera necessário resolver a contradição. O Criador fez o mundo e controla tudo. Mas como, segundo os evolucionistas, carece de sentimentos e/ou pensamentos, Ele cria cada espécie de acordo com as rigorosas leis físicas. Após surgirem, as espécies se desenvolvem segundo a evolução, aderindo ao rigoroso princípio da "sobrevivência do mais forte". Segundo esta teoria o Criador é chamado "natureza", enfatizando assim sua falta de sentimentos e emoções.
DUALISMO. Sabemos que a incrível sabedoria da natureza excede em muito as possibilidades humanas. Portanto, prever e "programar" futuras criações e organismos deve incluir algum tipo de “feedback” (retroalimentação). Além disso, o lado que está dando (a natureza) deve ter intelecto, memória e sentimentos, porque é impossível afirmar que apenas o acaso reine em todos os níveis de natureza.
Seguindo esta corrente de pensamento se chega à idéia da existência de duas forças: uma positiva e outra negativa. Ambas têm intelecto e sentimentos e transmitem estas qualidades a tudo que criam. O desenvolvimento desta teoria do dualismo ocasionou a criação de algumas outras.
"Muitos deuses". Ao analisar as ações da natureza e classificá-las segundo diferentes características, surgiram certas religiões (como a grega antiga) com vários deuses. Segundo esta crença, cada deus controla uma determinada força, uma determinada área...
A falta de controle (descontrole). Recentemente, com o surgimento de novos instrumentos e métodos tecnológicos, muitos cientistas descobriram uma ligação entre várias áreas de nosso mundo. Assim, abandonou-se a teoria do controle do mundo por "muitas forças", surgindo algumas idéias novas. Basicamente, a idéia é que deve haver uma força que nos une e que controla sabiamente o mundo inteiro. Visto que a humanidade é muito pequena e insignificante em comparação com esta força, somos abandonados (como humanidade) a nossos próprios recursos.
No entanto, apesar de todas as teorias da criação deste mundo e de seu controle, a humanidade ainda sofre. E o homem ainda não entende porque a natureza, que o tratou com tanta ternura e cuidado no útero materno, torna-se depois tão impiedosa. Ao envelhecer, ele parece precisar ainda mais do cuidado da natureza. E surge uma pergunta: Não seremos nós a principal causa da crueldade da natureza para com o mundo vivente?
Todas as ações de natureza estão entrelaçadas. Portanto, quando infringimos uma de suas regras, todo o sistema se desequilibra. Não importa se falamos da Natureza como "líder", ou de um Criador muito sábio com determinado plano e objetivo.
A Natureza, ou o Criador (distinção irrelevante em princípio), age sobre nós por meio de certas leis e regras. Devemos obedecê-las, pois são objetivas e coercivas (casualmente, segundo a Cabalá, o valor numérico da palavra "Elohim"/Deus é igual ao valor numérico da palavra "Tevah"/Natureza. Isto demonstra o elo entre nós e o Criador mediante as leis da natureza). É importante que compreendamos as leis da natureza. Sabemos que se não as observarmos, sofreremos. É óbvio que o homem necessita da companhia de outras pessoas. Se alguém decidisse repentinamente se isolar da sociedade, condenar-se-ia a uma vida cheia de sofrimento. Não poderia prover-se de todas as coisas que necessita.
É a própria Natureza que faz o homem viver em sociedade, com seus semelhantes. Nesta vida ele se vê envolvido em duas operações: "obtém" da sociedade tudo o que necessita e, por outro lado, tem que "dar" para garantir sua produção e seu trabalho à sociedade. Quem quebra um desses compromissos também provoca um desequilíbrio e merece ser punido pela sociedade. Quando alguém é culpado de "obter" em excesso (roubando, por exemplo!), o castigo surge imediatamente. Mas, por outro lado, quando alguém se nega a “dar” de si à sociedade, o castigo normalmente não ocorre. Então, esta condição de “dar” seus talentos e habilidades à sociedade geralmente não se cumpre.
Por outro lado, a Natureza age como um juiz, punindo a humanidade de acordo com seu desenvolvimento. Segundo a Tora, o processo de transformação das gerações no nosso mundo significa apenas o surgimento e desaparecimento dos corpos das pessoas. A alma, por outro lado, preenche o corpo e é o "Eu" principal da pessoa. Ela carrega seus desejos, seu caráter e seus pensamentos escritos num "transportador" material – as células cerebrais. Esta alma não desaparece, mas apenas muda o transportador. O número de almas é limitado (constante). A rotação e a descida delas ao nosso mundo, “vestidas” em novos corpos, constituem uma nova geração humana.
Assim como ocorre com as almas, todas as gerações, da primeira à última, podem ser consideradas como uma única geração. Sua vida remonta ao momento do nascimento da humanidade, há alguns milênios atrás, e continuará até a morte desta, sem levar em conta quantas formas diferentes cada alma assumirá em diferentes corpos. A morte não afeta a alma, pois esta é composta de uma "matéria superior", da mesma forma que cortar nossos cabelos e unhas não afeta nosso corpo nem sua vida.
Após criar e nos entregar seus mundos, o Criador nos deu uma tarefa: devemos nos esforçar para encontrá-Lo e convergir com Ele. Isto deve ser feito através do crescimento espiritual, unindo-nos e nos elevando a nós mesmos. Mas surge uma grande questão: A humanidade deve obedecer a vontade do Criador? A Cabalá revela o quadro completo das distintas formas pelas quais somos controlados, e o resultado é surpreendente. Acontece que, seja através do livre-arbítrio ou do sofrimento, chegaremos finalmente à mesma conclusão. Pode acontecer nesta vida ou na próxima, pode acontecer por influência de forças físicas, sociais ou econômicas. Mais cedo ou mais tarde cada um de nós e, finalmente, toda a humanidade, terão de aceitar a idéia: a meta e o propósito da Criação devem ser nossa meta e propósito de vida!
Ao final de todas as gerações, todos alcançarão esta meta. A única diferença é o caminho escolhido para alcançá-la. A pessoa que se esforça para alcançar esta meta se beneficiará duplamente. Ela recebe prazer como resultado de sua "convergência" com o Criador e isso ocorre no lugar do sofrimento. O surpreendente é que a humanidade ainda não imagina todas as desgraças que terá que enfrentar. Sabemos que o objetivo a ser conquistado já está definido e as leis da Tora são imutáveis. Assim, seja por nosso próprio sofrimento pessoal ou por alguma catástrofe climática sazonal, cada um de nós é conduzido para a idéia correta. Devemos seguir os mandamentos do Criador. Devemos nos libertar do egoísmo e da inveja, e desenvolver os sentimentos de compaixão, ajuda mútua e amor.
Tradução de: Perfection and the World
15 de abr. de 2009
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12 de abr. de 2009
Condições para se Revelar o Conhecimento Cabalístico
Conheça o novo curso online Mentalidade de Sucesso
Autor: Rav Michael Laitman
Existem três razões para se ocultar o conhecimento Cabalístico:
* Não há necessidade de revelar
* É impossível revelar
* É segredo particular do Criador
Não há um só detalhe da Cabalá que não esteja relacionado às três proibições mencionadas acima, e nenhuma autorização para se revelar o conhecimento é aceita, a menos que elas sejam cumpridas.
1. Proibição “Não há necessidade de revelar”: permite revelar a sabedoria apenas se ela for para o bem da humanidade. A Cabalá afirma, “Quem acumula conhecimento traz pesar”. Se o conhecimento cai nas mãos de pessoas imorais e inescrupulosas, pode ser usado em detrimento da sociedade. Vemos os resultados de uma divulgação descontrolada do conhecimento em nossa vida conturbada, na ameaça de destruição, no terror. A razão para tal reside no fato de que a maioria das pessoas vive pelo princípio do “E daí?”. Essas pessoas despreocupadas, impensada e desnecessariamente difundem a sabedoria da Cabalá. Por isso, os Cabalistas aceitam apenas os alunos que possam guardar segredo e se abstêm de revelá-lo desnecessariamente.
2. Proibição “É impossível Revelar”: origina-se das limitações da linguagem, a qual é incapaz de transmitir as sutis noções espirituais que não conseguimos perceber. Como todas as tentativas verbais estão condenadas ao fracasso e levam à conclusões erradas, somente um Cabalista, que alcançou um alto nível espiritual e adquiriu uma qualidade especial de revelar a sabedoria superior de forma clara, pode fazê-lo.
Esta qualidade especial é descrita na obra do grande Cabalista Ari: “Saiba que as almas dos grandes Cabalistas são preenchidas com a Luz exterior (Circundante) ou com a Luz Interior (Enchimento)”. As almas preechidas com a luz Circundante têm o dom de explicar o conhecimento cabalístico, revestindo-o com palavras claras, de forma que quem for merecedor possa entendê-lo. A alma do grande Rashbi foi preenchida com a Luz Circundante; por isso, ele teve o poder de explicar coisas de tal forma que, quando falou diante da Grande Assembléia, apenas aqueles que mereciam o entenderam. Assim, só ele recebeu a permissão divina para escrever “O Livro do Zohar”, embora os Cabalistas que viveram antes dele tivessem mais conhecimento. Eles não tinham o seu dom de revestir noções espirituais em palavras.
Dessa forma, vemos que as condições para divulgar a sabedoria Cabalística não dependem da instrução do Cabalista, mas sim das qualidades de sua alma, da sua habilidade em expressar o imperceptível. Somente por causa deste dom é que ele recebe autorização para divulgar uma parte da sabedoria da Cabalá.
É por isso que não encontramos nenhuma obra fundamental na Cabalá composta antes do “O Livro do Zohar”. As que estão disponíveis contêm indícios vagos e inconsequentes. Após o Rashbi (século II d.C.), apenas ao Ari (século XVI d.C.) foi permitido divulgar a sabedoria da Cabalá. Embora os Cabalistas que viveram antes dele provavelmente soubessem muito mais do que ele, eles não receberam a permissão de revelar a sabedoria devido à razão mencionada acima. Então, eles se privaram de compor e imprimir qualquer coisa, com exceção de alguns comentários vagos. É por isso que a partir da época do Ari todos os Cabalistas autênticos pararam de usar outros livros e somente estudaram os trabalhos dele e “O Livro do Zohar”.
3. Proibição “É segredo particular do Criador”: consiste em que o conhecimento Cabalístico é apenas revelado àqueles que, de forma abnegada, dedicaram-se à idéia da semelhança com o Criador. Assim, os Cabalistas do passado sempre selecionaram apenas aqueles alunos que ambicionavam aprender de todo coração, a fim de atingir a equivalência de forma com o Criador. Visto que todos os outros foram rejeitados e, posteriormente, a Cabalá foi escondida do público, muitos impostores se passaram por Cabalistas e lucraram com adivinhação, fazendo amuletos, "salvando" as pessoas do mau olhado e vendendo muitos outros "milagres" seduzindo tolos. Até hoje há dezenas destes "Cabalistas" e clientes de seus objetos "divinos", pulseiras vermelhas, água sagrada, etc.
Originalmente, a Cabalá foi ocultada por esta simples razão; assim, os verdadeiros Cabalistas se comprometeram a submeter seus discípulos a testes muito rigorosos. Isso explica porque apenas poucas pessoas em cada geração receberam autorização para estudar a sabedoria da Cabalá, e revelar uma parte dela sob a condição de que as três proibições mencionadas anteriormente fossem revogadas.
Na realidade, somente se "um ponto no coração do homem" desperta, este poderá aspirar a atingir as propriedades do Mundo Superior e a semelhança com o Criador. Apenas tais as pessoas estão autorizadas a ensinar Cabalá. O restante está apenas ávido por aprender "ações mágicas para controlar o destino e manipular outros". Certamente, tudo o que eles produzem é um efeito psicológico, que, às vezes, pode realmente "produzir maravilhas". No entanto, não devemos confundir isso com as forças e propriedades Superiores. Por isso existem até hoje dois tipos de sabedoria: "a Cabalá para os consumidores" e "a ciência da Cabalá". A primeira serve para o benefício dos vendedores de amuletos; a segunda é para aqueles que verdadeiramente aspiram a descobrir o espiritual.
Não se deve pensar que estas três proibições impostas à divulgação do conhecimento Cabalístico dividam a Cabalá em três partes. Não, cada parte, palavra, noção, e definição estão incluídas nestas três interdições.
No entanto, surge uma questão: se esta ciência foi tão minuciosamente ocultada, como é que surgiram estas composições Cabalísticas? O fato é que as duas primeiras proibições diferem da terceira. A última proibição é a mais rigorosa, enquanto que as duas primeiras estão sujeitas às mudanças. Com o desenvolvimento da sociedade, a proibição “Não há necessidade de revelar" se transforma no comando "É preciso revelar", como nos casos do Ari, Rashbi e, em menor grau, de outros Cabalistas. Da mesma forma, na nossa época a proibição "Não há necessidade de revelar" transforma-se em “É preciso revelar”. É por isso que a Cabalá é agora revelada para toda a humanidade.
Tradução de: Conditions of Revealing the Kabbalistic Knowledge
Leitura Complementar: A Linguagem dos Cabalistas
Autor: Rav Michael Laitman
Existem três razões para se ocultar o conhecimento Cabalístico:
* Não há necessidade de revelar
* É impossível revelar
* É segredo particular do Criador
Não há um só detalhe da Cabalá que não esteja relacionado às três proibições mencionadas acima, e nenhuma autorização para se revelar o conhecimento é aceita, a menos que elas sejam cumpridas.
1. Proibição “Não há necessidade de revelar”: permite revelar a sabedoria apenas se ela for para o bem da humanidade. A Cabalá afirma, “Quem acumula conhecimento traz pesar”. Se o conhecimento cai nas mãos de pessoas imorais e inescrupulosas, pode ser usado em detrimento da sociedade. Vemos os resultados de uma divulgação descontrolada do conhecimento em nossa vida conturbada, na ameaça de destruição, no terror. A razão para tal reside no fato de que a maioria das pessoas vive pelo princípio do “E daí?”. Essas pessoas despreocupadas, impensada e desnecessariamente difundem a sabedoria da Cabalá. Por isso, os Cabalistas aceitam apenas os alunos que possam guardar segredo e se abstêm de revelá-lo desnecessariamente.
2. Proibição “É impossível Revelar”: origina-se das limitações da linguagem, a qual é incapaz de transmitir as sutis noções espirituais que não conseguimos perceber. Como todas as tentativas verbais estão condenadas ao fracasso e levam à conclusões erradas, somente um Cabalista, que alcançou um alto nível espiritual e adquiriu uma qualidade especial de revelar a sabedoria superior de forma clara, pode fazê-lo.
Esta qualidade especial é descrita na obra do grande Cabalista Ari: “Saiba que as almas dos grandes Cabalistas são preenchidas com a Luz exterior (Circundante) ou com a Luz Interior (Enchimento)”. As almas preechidas com a luz Circundante têm o dom de explicar o conhecimento cabalístico, revestindo-o com palavras claras, de forma que quem for merecedor possa entendê-lo. A alma do grande Rashbi foi preenchida com a Luz Circundante; por isso, ele teve o poder de explicar coisas de tal forma que, quando falou diante da Grande Assembléia, apenas aqueles que mereciam o entenderam. Assim, só ele recebeu a permissão divina para escrever “O Livro do Zohar”, embora os Cabalistas que viveram antes dele tivessem mais conhecimento. Eles não tinham o seu dom de revestir noções espirituais em palavras.
Dessa forma, vemos que as condições para divulgar a sabedoria Cabalística não dependem da instrução do Cabalista, mas sim das qualidades de sua alma, da sua habilidade em expressar o imperceptível. Somente por causa deste dom é que ele recebe autorização para divulgar uma parte da sabedoria da Cabalá.
É por isso que não encontramos nenhuma obra fundamental na Cabalá composta antes do “O Livro do Zohar”. As que estão disponíveis contêm indícios vagos e inconsequentes. Após o Rashbi (século II d.C.), apenas ao Ari (século XVI d.C.) foi permitido divulgar a sabedoria da Cabalá. Embora os Cabalistas que viveram antes dele provavelmente soubessem muito mais do que ele, eles não receberam a permissão de revelar a sabedoria devido à razão mencionada acima. Então, eles se privaram de compor e imprimir qualquer coisa, com exceção de alguns comentários vagos. É por isso que a partir da época do Ari todos os Cabalistas autênticos pararam de usar outros livros e somente estudaram os trabalhos dele e “O Livro do Zohar”.
3. Proibição “É segredo particular do Criador”: consiste em que o conhecimento Cabalístico é apenas revelado àqueles que, de forma abnegada, dedicaram-se à idéia da semelhança com o Criador. Assim, os Cabalistas do passado sempre selecionaram apenas aqueles alunos que ambicionavam aprender de todo coração, a fim de atingir a equivalência de forma com o Criador. Visto que todos os outros foram rejeitados e, posteriormente, a Cabalá foi escondida do público, muitos impostores se passaram por Cabalistas e lucraram com adivinhação, fazendo amuletos, "salvando" as pessoas do mau olhado e vendendo muitos outros "milagres" seduzindo tolos. Até hoje há dezenas destes "Cabalistas" e clientes de seus objetos "divinos", pulseiras vermelhas, água sagrada, etc.
Originalmente, a Cabalá foi ocultada por esta simples razão; assim, os verdadeiros Cabalistas se comprometeram a submeter seus discípulos a testes muito rigorosos. Isso explica porque apenas poucas pessoas em cada geração receberam autorização para estudar a sabedoria da Cabalá, e revelar uma parte dela sob a condição de que as três proibições mencionadas anteriormente fossem revogadas.
Na realidade, somente se "um ponto no coração do homem" desperta, este poderá aspirar a atingir as propriedades do Mundo Superior e a semelhança com o Criador. Apenas tais as pessoas estão autorizadas a ensinar Cabalá. O restante está apenas ávido por aprender "ações mágicas para controlar o destino e manipular outros". Certamente, tudo o que eles produzem é um efeito psicológico, que, às vezes, pode realmente "produzir maravilhas". No entanto, não devemos confundir isso com as forças e propriedades Superiores. Por isso existem até hoje dois tipos de sabedoria: "a Cabalá para os consumidores" e "a ciência da Cabalá". A primeira serve para o benefício dos vendedores de amuletos; a segunda é para aqueles que verdadeiramente aspiram a descobrir o espiritual.
Não se deve pensar que estas três proibições impostas à divulgação do conhecimento Cabalístico dividam a Cabalá em três partes. Não, cada parte, palavra, noção, e definição estão incluídas nestas três interdições.
No entanto, surge uma questão: se esta ciência foi tão minuciosamente ocultada, como é que surgiram estas composições Cabalísticas? O fato é que as duas primeiras proibições diferem da terceira. A última proibição é a mais rigorosa, enquanto que as duas primeiras estão sujeitas às mudanças. Com o desenvolvimento da sociedade, a proibição “Não há necessidade de revelar" se transforma no comando "É preciso revelar", como nos casos do Ari, Rashbi e, em menor grau, de outros Cabalistas. Da mesma forma, na nossa época a proibição "Não há necessidade de revelar" transforma-se em “É preciso revelar”. É por isso que a Cabalá é agora revelada para toda a humanidade.
Tradução de: Conditions of Revealing the Kabbalistic Knowledge
Leitura Complementar: A Linguagem dos Cabalistas
8 de abr. de 2009
O Propósito da Associação
Autor: Rav Baruch Shalom HaLevi Ashlag (Rabash)
O homem nasce com um impulso por receber chamado amor-próprio. Onde quer que ele não consiga ver um benefício para si mesmo, ele não tem combustível para o menor movimento.Contudo, sem anular este amor-próprio, é impossível alcançar a emulação de D-us, ou seja, identificar-se em Sua forma.
Isto está em oposição direta a nossa natureza; daí a necessidade de uma associação. Juntos, como um grande poder, nós podemos trabalhar para anular o desejo de receber, o qual é por si só o mal, na medida em que ele interfere com a realização do propósito para o qual o homem foi criado.
Portanto a associação deve ser feita de indivíduos, dos quais todos têm a mesma visão de mundo, isto é, de que o desejo de receber deve ser subjugado. Então, a associação de tais indivíduos estabelecerá um grande poder que será capaz de superar seu amor-próprio coletivo. É assim por causa da inclusão do geral no particular: cada um está incluído no todo, e reciprocamente, o todo em cada um. Portanto cada indivíduo pode conectar-se ao grande poder coletivo da associação do todo para alcançar o objetivo.
A fim de alcançar esta “inter-inclusão” de um indivíduo com outro, cada pessoa deve se anular perante o outro. Isto é conseguido quando cada um vê os pontos positivos do outro e desconsidera suas falhas. Aquele que se considera mesmo que seja um pouco acima de seus colegas, não será capaz de unir-se completamente a eles ou assimilar-se com eles.
De forma similar, no momento dessa auto-anulação, eles devem ser sérios. De outra forma eles não estarão afinados com o objetivo geral. Outrora, pelo motivo de “andar modestamente” havia o costume de não agir de forma séria externamente, enquanto na verdade, havia uma chama queimando.
Pessoas de mente pequena, entretanto, devem ser muito cuidadosas em não serem apegadas demais a palavras e ações que não contribuem para o propósito para o qual eles foram reunidos, nomeadamente intimidade com D-us. (Para saber mais sobre o assunto de intimidade com D-us, veja Matan Torah)
Somente quando não estiver entre colegas é melhor esconder a intenção em seus corações e ser, externamente, como qualquer um, de acordo com o verso “Vá modestamente com D-us seu Senhor.” Embora haja interpretações mais nobres deste verso, o significado simples é ainda grandioso.
Portanto é essencial que quando os colegas se juntarem, eles deveriam ser igualitários um com o outro a fim de serem capazes de anular a si mesmos perante o outro.
Esta associação deve ter o cuidado de não ter seu controle tomado pela mente inconsciente, a qual destruiria tudo. (Mas isso é uma questão pessoal interna.) Por outro lado, quando alguém não está com um colega da associação, a pessoa não deve demonstrar seriedade, mas apenas ser como a pessoa com quem ela está agora. Ela não deveria falar sobre coisas sérias, mas sobre coisas de interesse para aquele com quem está agora, o qual é denominado “hóspede não-convidado”.
Tradução de: The Purpose of the Association
Leitura complementar: Matan Torah
O homem nasce com um impulso por receber chamado amor-próprio. Onde quer que ele não consiga ver um benefício para si mesmo, ele não tem combustível para o menor movimento.Contudo, sem anular este amor-próprio, é impossível alcançar a emulação de D-us, ou seja, identificar-se em Sua forma.
Isto está em oposição direta a nossa natureza; daí a necessidade de uma associação. Juntos, como um grande poder, nós podemos trabalhar para anular o desejo de receber, o qual é por si só o mal, na medida em que ele interfere com a realização do propósito para o qual o homem foi criado.
Portanto a associação deve ser feita de indivíduos, dos quais todos têm a mesma visão de mundo, isto é, de que o desejo de receber deve ser subjugado. Então, a associação de tais indivíduos estabelecerá um grande poder que será capaz de superar seu amor-próprio coletivo. É assim por causa da inclusão do geral no particular: cada um está incluído no todo, e reciprocamente, o todo em cada um. Portanto cada indivíduo pode conectar-se ao grande poder coletivo da associação do todo para alcançar o objetivo.
A fim de alcançar esta “inter-inclusão” de um indivíduo com outro, cada pessoa deve se anular perante o outro. Isto é conseguido quando cada um vê os pontos positivos do outro e desconsidera suas falhas. Aquele que se considera mesmo que seja um pouco acima de seus colegas, não será capaz de unir-se completamente a eles ou assimilar-se com eles.
De forma similar, no momento dessa auto-anulação, eles devem ser sérios. De outra forma eles não estarão afinados com o objetivo geral. Outrora, pelo motivo de “andar modestamente” havia o costume de não agir de forma séria externamente, enquanto na verdade, havia uma chama queimando.
Pessoas de mente pequena, entretanto, devem ser muito cuidadosas em não serem apegadas demais a palavras e ações que não contribuem para o propósito para o qual eles foram reunidos, nomeadamente intimidade com D-us. (Para saber mais sobre o assunto de intimidade com D-us, veja Matan Torah)
Somente quando não estiver entre colegas é melhor esconder a intenção em seus corações e ser, externamente, como qualquer um, de acordo com o verso “Vá modestamente com D-us seu Senhor.” Embora haja interpretações mais nobres deste verso, o significado simples é ainda grandioso.
Portanto é essencial que quando os colegas se juntarem, eles deveriam ser igualitários um com o outro a fim de serem capazes de anular a si mesmos perante o outro.
Esta associação deve ter o cuidado de não ter seu controle tomado pela mente inconsciente, a qual destruiria tudo. (Mas isso é uma questão pessoal interna.) Por outro lado, quando alguém não está com um colega da associação, a pessoa não deve demonstrar seriedade, mas apenas ser como a pessoa com quem ela está agora. Ela não deveria falar sobre coisas sérias, mas sobre coisas de interesse para aquele com quem está agora, o qual é denominado “hóspede não-convidado”.
Tradução de: The Purpose of the Association
Leitura complementar: Matan Torah
5 de abr. de 2009
A Alma como um Sistema no Modelo do Universo
Autor: Rav Michael Laitman
Sistema – é um conjunto de elementos que existem em relação, e em conexão, uns com os outros, o qual gera certa integridade – unidade.
Características do Sistema
Em nossa opinião, a alma é um sistema integrado e completo do universo, cuja principal característica é a integridade, isto é, a incapacidade de reduzir qualquer sistema a uma soma de suas partes. Isto significa que onde existe uma alma comum, denominada "Adão", apenas esta alma realmente existe. Todas as partes que se desprenderam dela não são partes suas separadas, mas algo completamente diferente. Num nível onde elas novamente se re-unem nesta estrutura comum, elas já formam um único organismo comum. Ou seja, todo e qualquer estado de cada alma individual, de cada objeto individual, é definido apenas pelo grau em que esta esteja conectada com os demais objetos. Somente assim poderemos encontrar o seu nível ou grau, a fim de indicar o seu estado, e definir sua qualidade. Podemos caracterizá-la apenas num nível em que ela é compatível com os outros objetos, bem como um nível no qual estes objetos separados, estas almas separadas, interconectam-se entre si; ou seja, uma certa associação, integridade, essência, estrutura, e ordem surge entre elas. Esta estrutura tem uma qualidade completamente nova e diferente. Não é apenas uma soma destes objetos separados, mas uma criação qualitativamente diferente. É o que elas criam juntas, graças à interconexão entre si. O que está sendo criado é um novo desempenho, um sistema totalmente novo.
Hierarquia
Cada componente de um sistema vê a si próprio como sendo a parte mais importante, o princípio organizador das partes restantes. Cada componente de um sistema se comporta exatamente da mesma forma. Cada alma individualmente é a principal em relação ao restante delas.
Quer dizer, como resultado da separação da alma comum em partes, e a subseqüente re-conexão, temos uma situação em que umas se impõe sobre as outras, e cada uma delas adquire as qualidades desta união. É aceitável, sob certas condições, que a quantidade de almas individuais após a quebra da alma original, um objeto coletivo, seja de seiscentos mil.
Assim, tínhamos uma única alma, que se quebrou em seiscentos mil pedaços, e agora, re-unidos, formam um novo sistema equivalente ao original, multiplicado por seiscentos mil: estas são as seiscentas mil almas, vivendo e se impondo umas sobre as outras. Isto significa que recebemos um sistema que é absoluto, porque cada um dos seus elementos é o principal, definindo e conectando todo o restante ao mesmo tempo, permitindo que os outros se conectem a ele.
Pluralidade de descrições
A pluralidade de descrições resulta do fato de que todo objeto original é composto por quatro níveis: inanimado, vegetal, animado, e humano. Cada um desses níveis, por sua vez, é composto por subníveis, etc.; isto significa que, em princípio, a natureza é ilimitada em cada uma de suas partes e na sua total interação. É por isso que podemos descrever um sistema, estruturá-lo em cada um dos seus níveis, e analisá-lo de vários ângulos, que em geral são equivalentes. Não podemos dizer qual dessas partes é melhor, pior, maior ou menor, porque se o sistema é perfeito (e se torna assim no final; então qualquer aspecto dele é igualmente perfeito. Ele só demonstra essa perfeição de uma maneira diferente - numa linguagem diferente. Um homem pode ser descrito como uma planta, um animal, um elemento biológico, social ou espiritual. Isso incluirá todas as suas informações.
Aos olhos de um psicólogo ou um filósofo a personalidade de um ser humano é um objeto sistemático, pois é uma parte dos diferentes sistemas (físico, social, etc.); um ser humano é um sujeito ativo; e a própria personalidade é um sistema especial, pois é um sistema aberto, em desenvolvimento. A este respeito, algumas características específicas podem ser adicionadas às mais comuns, tais como a existência proposital de técnicas complexas de vida e sistemas sociais, e sua capacidade de auto-organização - alterar sua própria estrutura.
A Ciência da Cabalá tem uma oportunidade de examinar a alma humana como um sistema aberto de auto-desenvolvimento do universo, e de procurar por novas características deste sistema e novas formas de seu funcionamento.
Tradução de: Soul as a System in the Model of the Universe
Sistema – é um conjunto de elementos que existem em relação, e em conexão, uns com os outros, o qual gera certa integridade – unidade.
Características do Sistema
Em nossa opinião, a alma é um sistema integrado e completo do universo, cuja principal característica é a integridade, isto é, a incapacidade de reduzir qualquer sistema a uma soma de suas partes. Isto significa que onde existe uma alma comum, denominada "Adão", apenas esta alma realmente existe. Todas as partes que se desprenderam dela não são partes suas separadas, mas algo completamente diferente. Num nível onde elas novamente se re-unem nesta estrutura comum, elas já formam um único organismo comum. Ou seja, todo e qualquer estado de cada alma individual, de cada objeto individual, é definido apenas pelo grau em que esta esteja conectada com os demais objetos. Somente assim poderemos encontrar o seu nível ou grau, a fim de indicar o seu estado, e definir sua qualidade. Podemos caracterizá-la apenas num nível em que ela é compatível com os outros objetos, bem como um nível no qual estes objetos separados, estas almas separadas, interconectam-se entre si; ou seja, uma certa associação, integridade, essência, estrutura, e ordem surge entre elas. Esta estrutura tem uma qualidade completamente nova e diferente. Não é apenas uma soma destes objetos separados, mas uma criação qualitativamente diferente. É o que elas criam juntas, graças à interconexão entre si. O que está sendo criado é um novo desempenho, um sistema totalmente novo.
Hierarquia
Cada componente de um sistema vê a si próprio como sendo a parte mais importante, o princípio organizador das partes restantes. Cada componente de um sistema se comporta exatamente da mesma forma. Cada alma individualmente é a principal em relação ao restante delas.
Quer dizer, como resultado da separação da alma comum em partes, e a subseqüente re-conexão, temos uma situação em que umas se impõe sobre as outras, e cada uma delas adquire as qualidades desta união. É aceitável, sob certas condições, que a quantidade de almas individuais após a quebra da alma original, um objeto coletivo, seja de seiscentos mil.
Assim, tínhamos uma única alma, que se quebrou em seiscentos mil pedaços, e agora, re-unidos, formam um novo sistema equivalente ao original, multiplicado por seiscentos mil: estas são as seiscentas mil almas, vivendo e se impondo umas sobre as outras. Isto significa que recebemos um sistema que é absoluto, porque cada um dos seus elementos é o principal, definindo e conectando todo o restante ao mesmo tempo, permitindo que os outros se conectem a ele.
Pluralidade de descrições
A pluralidade de descrições resulta do fato de que todo objeto original é composto por quatro níveis: inanimado, vegetal, animado, e humano. Cada um desses níveis, por sua vez, é composto por subníveis, etc.; isto significa que, em princípio, a natureza é ilimitada em cada uma de suas partes e na sua total interação. É por isso que podemos descrever um sistema, estruturá-lo em cada um dos seus níveis, e analisá-lo de vários ângulos, que em geral são equivalentes. Não podemos dizer qual dessas partes é melhor, pior, maior ou menor, porque se o sistema é perfeito (e se torna assim no final; então qualquer aspecto dele é igualmente perfeito. Ele só demonstra essa perfeição de uma maneira diferente - numa linguagem diferente. Um homem pode ser descrito como uma planta, um animal, um elemento biológico, social ou espiritual. Isso incluirá todas as suas informações.
Aos olhos de um psicólogo ou um filósofo a personalidade de um ser humano é um objeto sistemático, pois é uma parte dos diferentes sistemas (físico, social, etc.); um ser humano é um sujeito ativo; e a própria personalidade é um sistema especial, pois é um sistema aberto, em desenvolvimento. A este respeito, algumas características específicas podem ser adicionadas às mais comuns, tais como a existência proposital de técnicas complexas de vida e sistemas sociais, e sua capacidade de auto-organização - alterar sua própria estrutura.
A Ciência da Cabalá tem uma oportunidade de examinar a alma humana como um sistema aberto de auto-desenvolvimento do universo, e de procurar por novas características deste sistema e novas formas de seu funcionamento.
Tradução de: Soul as a System in the Model of the Universe
4 de abr. de 2009
O Sexto Sentido
Autor: Rav Michael Laitman
A ciência e a filosofia avançam junto com o avanço da humanidade. E hoje, todos os cientistas e filósofos concordam que a investigação que o homem faz do mundo à sua volta é limitada.
É possível dizer que o ser humano é como uma “caixa preta” que sente, entende e recebe somente o que vem de fora. Em todas nossas investigações, nós somos limitados pelos nossos cinco sentidos. E todos os instrumentos que construímos, e os quais deverão ser construídos no futuro, não escapam das limitações dos nossos cinco sentidos. Eles meramente ampliam as fronteiras dos nossos sentidos.
Isto se deve ao fato de que nós somos incapazes de imaginar o que falta aos nossos sentidos. Isto é, que outro sentido adicional nós precisamos a fim de reconhecer a verdadeira realidade à nossa volta. Nós não sentimos falta disso, assim como nós não sentimos falta de um sexto dedo em nossas mãos. Aquilo do que não sentimos falta não pode ser algo que viríamos a requerer. Dessa forma, todas as investigações do nosso mundo são apenas de acordo com nossos cinco sentidos, e não conseguimos começar a ver, sentir e entender o que está além dos nossos sentidos. Estes são as limitações de nossas concepções.
Além disso, nossa imaginação é o produto dos nossos cinco sentidos, e das experiências que se originam deles. Nós não podemos imaginar nenhum objeto ou criatura que não se assemelha a algo familiar para nós em relação aos nossos cinco sentidos.
Se eu quiser, por exemplo, que alguém desenhe para mi alguma criatura de outro planeta, certamente ele a desenharia de acordo com os elementos que nos são familiares no nosso mundo. E se eu pedisse para você descrever algo imaginário, você sem dúvida me falaria de algo que é muito similar a este mundo.
E isto exemplifica todas as nossas limitações: todos nós vivemos dentro de um mundo pequeno, e nós somos incapazes de sentir, e, dessa forma, imaginar, qualquer coisa fora dele. E, uma vez que nossas limitações são absolutas, nenhuma ciência ou filosofia pode nos ajudar a entender o que está além desse mundo.
Pode ser que no mesmo espaço, em outras dimensões, existem outras criaturas, outros mundos. E nós não somos capazes de senti-los porque nos faltam os vasos (recipientes) necessários – os sentidos para senti-los. Pode ser que nesse outro mundo, mais vasto que o nosso, podem ser encontradas as razões para nossa existência, para todos os incidentes que ocorrem conosco, e o motivo para nossa morte, E nós, sem saber dessas causas, vivemos sem o conhecimento verdadeiro e sem um objetivo verdadeiro, como um estado inconsciente no nosso mundo.
Existem pessoas no nosso mundo que recebem sentidos adicionais que tornam possível para eles sentirem a existência mais ampla que nos cerca. Essas pessoas são chamadas Cabalistas, uma vez que eles sabem como receber um conhecimento superior ao nosso conhecimento.
Essas pessoas dizem que à nossa volta existem mundos acima do nosso. E todos esses mundos são como camadas de uma cebola, entre as quais o nosso mundo se encontra no centro de todos esses mundos. E nós, que existimos neste mundo, somos capazes de sentir apenas este mundo, a menor esfera em toda a existência. E nós nascemos, vivemos e morremos nesta esfera que chamamos de mundo.
Os Cabalistas nos dizem que “este mundo” é chamado assim porque este é apenas um pequeno fragmento da verdadeira realidade que somos capazes de perceber com nossos sentidos. E se nós pudéssemos desenvolver sentidos adicionais, então o que sentiríamos com eles seria chamado de “o mundo vindouro”.
O método que pode nos levar a sentir e experimentar o mundo vindouro é chamado Sabedoria da Cabala.
Tradução de: The Sixth Sense
A ciência e a filosofia avançam junto com o avanço da humanidade. E hoje, todos os cientistas e filósofos concordam que a investigação que o homem faz do mundo à sua volta é limitada.
É possível dizer que o ser humano é como uma “caixa preta” que sente, entende e recebe somente o que vem de fora. Em todas nossas investigações, nós somos limitados pelos nossos cinco sentidos. E todos os instrumentos que construímos, e os quais deverão ser construídos no futuro, não escapam das limitações dos nossos cinco sentidos. Eles meramente ampliam as fronteiras dos nossos sentidos.
Isto se deve ao fato de que nós somos incapazes de imaginar o que falta aos nossos sentidos. Isto é, que outro sentido adicional nós precisamos a fim de reconhecer a verdadeira realidade à nossa volta. Nós não sentimos falta disso, assim como nós não sentimos falta de um sexto dedo em nossas mãos. Aquilo do que não sentimos falta não pode ser algo que viríamos a requerer. Dessa forma, todas as investigações do nosso mundo são apenas de acordo com nossos cinco sentidos, e não conseguimos começar a ver, sentir e entender o que está além dos nossos sentidos. Estes são as limitações de nossas concepções.
Além disso, nossa imaginação é o produto dos nossos cinco sentidos, e das experiências que se originam deles. Nós não podemos imaginar nenhum objeto ou criatura que não se assemelha a algo familiar para nós em relação aos nossos cinco sentidos.
Se eu quiser, por exemplo, que alguém desenhe para mi alguma criatura de outro planeta, certamente ele a desenharia de acordo com os elementos que nos são familiares no nosso mundo. E se eu pedisse para você descrever algo imaginário, você sem dúvida me falaria de algo que é muito similar a este mundo.
E isto exemplifica todas as nossas limitações: todos nós vivemos dentro de um mundo pequeno, e nós somos incapazes de sentir, e, dessa forma, imaginar, qualquer coisa fora dele. E, uma vez que nossas limitações são absolutas, nenhuma ciência ou filosofia pode nos ajudar a entender o que está além desse mundo.
Pode ser que no mesmo espaço, em outras dimensões, existem outras criaturas, outros mundos. E nós não somos capazes de senti-los porque nos faltam os vasos (recipientes) necessários – os sentidos para senti-los. Pode ser que nesse outro mundo, mais vasto que o nosso, podem ser encontradas as razões para nossa existência, para todos os incidentes que ocorrem conosco, e o motivo para nossa morte, E nós, sem saber dessas causas, vivemos sem o conhecimento verdadeiro e sem um objetivo verdadeiro, como um estado inconsciente no nosso mundo.
Existem pessoas no nosso mundo que recebem sentidos adicionais que tornam possível para eles sentirem a existência mais ampla que nos cerca. Essas pessoas são chamadas Cabalistas, uma vez que eles sabem como receber um conhecimento superior ao nosso conhecimento.
Essas pessoas dizem que à nossa volta existem mundos acima do nosso. E todos esses mundos são como camadas de uma cebola, entre as quais o nosso mundo se encontra no centro de todos esses mundos. E nós, que existimos neste mundo, somos capazes de sentir apenas este mundo, a menor esfera em toda a existência. E nós nascemos, vivemos e morremos nesta esfera que chamamos de mundo.
Os Cabalistas nos dizem que “este mundo” é chamado assim porque este é apenas um pequeno fragmento da verdadeira realidade que somos capazes de perceber com nossos sentidos. E se nós pudéssemos desenvolver sentidos adicionais, então o que sentiríamos com eles seria chamado de “o mundo vindouro”.
O método que pode nos levar a sentir e experimentar o mundo vindouro é chamado Sabedoria da Cabala.
Tradução de: The Sixth Sense
1 de abr. de 2009
Da Boca de um Homem Sábio – Prefácio
Autor: Rav Michael Laitman
Cabalistas estão convencidos de que todas as pessoas têm que estudar a Ciência da Cabala. Se elas não o fizerem nessa vida, elas terão que voltar para esse mundo novamente e aprender essa ciência. Sobre o que especificamente é a Ciência da Cabala? Por que as pessoas têm que dominá-la e se elas não o fizerem, suas vidas não terão valido nada? Por que a perfeição do ser humano depende do conhecimento da Cabala?
Para entender essas questões, nós precisamos assumir o método Cabalista de definição – “O incompreensível não é descrito” (nenhum nome é dado a coisas que não podem ser identificadas). Nós estamos falando aqui sobre coisas que estão além de nossa compreensão, a essência da Força Superior, por exemplo. Cabalistas até recusam discuti-la teoricamente, tentar identificá-la ou nomeá-la.
É por isso que, quando Cabalistas falam sobre a Força Superior, eles não se referem à sua essência; eles se referem à Luz que vem dela. O “Infinito” na Cabala é a luz emitida pela essência da Força Superior. Estudiosos Cabalistas definem a Luz vindo do Criador para a sua criação como infinita e nomearam-na “Infinito.”
Há uma lei inabalável para os Cabalistas de que até o pensamento sobre a Força Superior é proibido porque é um tanto impossível concebê-la. Além disso, é impossível nomeá-la, uma vez que se nós tentássemos, isso significaria que a entendemos num certo nível.
No entanto, a Luz que vem da Força Superior pode ser pesquisada, analisada, e então nomeada e caracterizada com base nessa análise. Todos nós recebemos essa Luz, a qual define a essência de nossa existência. É por isso que o seu estudo e aplicação correta é nossa responsabilidade nessa vida; fazendo isto, nós estudamos o efeito da Força Superior sobre nós. Esse conhecimento é a essência da Cabala. Esse conhecimento, de fato uma ciência, e a sua correta aplicação ajuda a nos preenchermos da Luz da Força Superior. É uma recompensa gloriosa para nossos esforços.
O Zohar nos conta que todos os Mundos Superiores foram criados para levar cada pessoa à perfeição. No começo, este foi o motivo para a criação do Universo. Como dito no Zohar, “O fim da ação está na idéia da criação.” Todos os mundos, até o nosso mundo e o homem neste mundo, foram criados para satisfazer o desejo de levar o maior prazer através da Luz. E o homem consiste de duas substâncias, uma dentro da outra – uma alma dentro do corpo físico.
Dessa forma, no começo, o homem foi colocado pela Força Superior na sua mais baixa condição – o corpo físico com sua alma. E então, através de um sistema de mundos descendentes, a Força Superior o afeta a fim de desenvolver sua alma, um recipiente da Luz, até que ela esteja cheia de luz. Pois é dito: “E a terra estará cheia do conhecimento do Criador, e todos conhecerão a Ele”.
A alma humana consiste de 613 desejos a serem preenchidos com a Luz Superior. No começo, esse desejo é egoísta, tendo a intenção de ser satisfeito somente para seu próprio bem. Como resultado de aprender a Cabala, o homem desenvolve uma nova intenção, de acordo com a qual todo desejo seu, do menor até o mais extenso, será satisfazê-lo para o bem da Força Superior.
Esta mudança gradual em intenção do egoísta para o altruísta é chamada de ato de correção. De acordo com sua similaridade à Força Superior, o desejo corrigido é preenchido com a Luz Superior, com a sensação do seu Poder, o Criador. Depois das intenções de todos os 613 desejos serem corrigidos, o homem absorve toda a Luz que vem da Força Superior dentro dele pessoalmente. Tal condição é chamada “Correção Pessoal.” Dessa forma, o homem se torna um com a Força Superior.
Todas as almas são diferentes em suas qualidades. Essa diferença em qualidades é o motivo das criaturas terem diferentes características. Mas as diferenças ou semelhanças entre as almas não depende das suas qualidades. Elas dependem da intenção individual egoísta de cada alma de satisfazer-se com a Luz. Quando a pessoa corrige esta intenção, ela junta a sua alma a outras almas e adiciona o desejo e a Luz delas à sua própria. Tal condição é chamada de a “Correção Final da Alma.” O preenchimento completo com a Luz Superior é chamado de o “Universo do Infinito.” Esta condição traz a consciência completa do Infinito, perfeição, paz e conhecimento total.
As ações de um homem prosperando em alcançar os Mundos Superiores são as seguintes:
1. A correção de sua intenção do egoísta para o altruísta. Um desejo, a ser satisfeito pela Luz Superior, deve tornar-se altruísta, e similar à Força Superior.
2. O desejo corrigido é preenchido com a Luz Superior. Como resultado, o homem começa a entender as qualidades da Força Superior, seus objetivos, a idéia de sua criação. E esta é a recompensa dele.
Até tal condição da alma ser alcançada, ela terá que retornar a esse mundo repetidas vezes, pois é somente durante a vida nessa Terra que é possível alcançar o nível mais alto, o Mundo do Infinito, a completa unidade de todas as almas quando elas são preenchidas com a Luz Superior. É por isso que cada geração repete a anterior, ou seja, as mesmas almas reaparecem em corpos diferentes.
Isto explica a significância prática da ciência da Cabala.
Tradução de: From the Mouth of a Wise Man – Foreword
Cabalistas estão convencidos de que todas as pessoas têm que estudar a Ciência da Cabala. Se elas não o fizerem nessa vida, elas terão que voltar para esse mundo novamente e aprender essa ciência. Sobre o que especificamente é a Ciência da Cabala? Por que as pessoas têm que dominá-la e se elas não o fizerem, suas vidas não terão valido nada? Por que a perfeição do ser humano depende do conhecimento da Cabala?
Para entender essas questões, nós precisamos assumir o método Cabalista de definição – “O incompreensível não é descrito” (nenhum nome é dado a coisas que não podem ser identificadas). Nós estamos falando aqui sobre coisas que estão além de nossa compreensão, a essência da Força Superior, por exemplo. Cabalistas até recusam discuti-la teoricamente, tentar identificá-la ou nomeá-la.
É por isso que, quando Cabalistas falam sobre a Força Superior, eles não se referem à sua essência; eles se referem à Luz que vem dela. O “Infinito” na Cabala é a luz emitida pela essência da Força Superior. Estudiosos Cabalistas definem a Luz vindo do Criador para a sua criação como infinita e nomearam-na “Infinito.”
Há uma lei inabalável para os Cabalistas de que até o pensamento sobre a Força Superior é proibido porque é um tanto impossível concebê-la. Além disso, é impossível nomeá-la, uma vez que se nós tentássemos, isso significaria que a entendemos num certo nível.
No entanto, a Luz que vem da Força Superior pode ser pesquisada, analisada, e então nomeada e caracterizada com base nessa análise. Todos nós recebemos essa Luz, a qual define a essência de nossa existência. É por isso que o seu estudo e aplicação correta é nossa responsabilidade nessa vida; fazendo isto, nós estudamos o efeito da Força Superior sobre nós. Esse conhecimento é a essência da Cabala. Esse conhecimento, de fato uma ciência, e a sua correta aplicação ajuda a nos preenchermos da Luz da Força Superior. É uma recompensa gloriosa para nossos esforços.
O Zohar nos conta que todos os Mundos Superiores foram criados para levar cada pessoa à perfeição. No começo, este foi o motivo para a criação do Universo. Como dito no Zohar, “O fim da ação está na idéia da criação.” Todos os mundos, até o nosso mundo e o homem neste mundo, foram criados para satisfazer o desejo de levar o maior prazer através da Luz. E o homem consiste de duas substâncias, uma dentro da outra – uma alma dentro do corpo físico.
Dessa forma, no começo, o homem foi colocado pela Força Superior na sua mais baixa condição – o corpo físico com sua alma. E então, através de um sistema de mundos descendentes, a Força Superior o afeta a fim de desenvolver sua alma, um recipiente da Luz, até que ela esteja cheia de luz. Pois é dito: “E a terra estará cheia do conhecimento do Criador, e todos conhecerão a Ele”.
A alma humana consiste de 613 desejos a serem preenchidos com a Luz Superior. No começo, esse desejo é egoísta, tendo a intenção de ser satisfeito somente para seu próprio bem. Como resultado de aprender a Cabala, o homem desenvolve uma nova intenção, de acordo com a qual todo desejo seu, do menor até o mais extenso, será satisfazê-lo para o bem da Força Superior.
Esta mudança gradual em intenção do egoísta para o altruísta é chamada de ato de correção. De acordo com sua similaridade à Força Superior, o desejo corrigido é preenchido com a Luz Superior, com a sensação do seu Poder, o Criador. Depois das intenções de todos os 613 desejos serem corrigidos, o homem absorve toda a Luz que vem da Força Superior dentro dele pessoalmente. Tal condição é chamada “Correção Pessoal.” Dessa forma, o homem se torna um com a Força Superior.
Todas as almas são diferentes em suas qualidades. Essa diferença em qualidades é o motivo das criaturas terem diferentes características. Mas as diferenças ou semelhanças entre as almas não depende das suas qualidades. Elas dependem da intenção individual egoísta de cada alma de satisfazer-se com a Luz. Quando a pessoa corrige esta intenção, ela junta a sua alma a outras almas e adiciona o desejo e a Luz delas à sua própria. Tal condição é chamada de a “Correção Final da Alma.” O preenchimento completo com a Luz Superior é chamado de o “Universo do Infinito.” Esta condição traz a consciência completa do Infinito, perfeição, paz e conhecimento total.
As ações de um homem prosperando em alcançar os Mundos Superiores são as seguintes:
1. A correção de sua intenção do egoísta para o altruísta. Um desejo, a ser satisfeito pela Luz Superior, deve tornar-se altruísta, e similar à Força Superior.
2. O desejo corrigido é preenchido com a Luz Superior. Como resultado, o homem começa a entender as qualidades da Força Superior, seus objetivos, a idéia de sua criação. E esta é a recompensa dele.
Até tal condição da alma ser alcançada, ela terá que retornar a esse mundo repetidas vezes, pois é somente durante a vida nessa Terra que é possível alcançar o nível mais alto, o Mundo do Infinito, a completa unidade de todas as almas quando elas são preenchidas com a Luz Superior. É por isso que cada geração repete a anterior, ou seja, as mesmas almas reaparecem em corpos diferentes.
Isto explica a significância prática da ciência da Cabala.
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