18 de dez. de 2009

O Zohar nos Instrui como um Professor Experiente



Ao ler o Livro do Zohar, toda pessoa tem que tentar encontrar um estado mais interno dentro de si. Nós não temos a capacidade de imaginar nenhum estado superior ao estado adjacente. Eu posso fantasiar infinitamente e pensar que estou imaginando o Mundo da Infinidade, mas isso vai apenas parecer ser dessa forma para mim, enquanto que na realidade eu irei mais tarde descobrir que isso era apenas o próximo estado interior, ligeiramente mais elevado do que o meu estado hoje.

Por isso, a pessoa deve direcionar toda a sua energia e todos os seus esforços à tentativa de discernir os desejos interiores e as qualidades que correspondem a cada palavra escrita no Zohar. Por exemplo, “cidade,” “torre,” “ascender,” “descender,” “anjos,” “demônios,” “espíritos,” “os filhos de Efraim” – não importa o que ou quem está sendo descrito, tudo isso está se referindo aos desejos e qualidades interiores da pessoa.

O livro ou o autor está falando conosco como um adulto com uma criança, nos contando apenas as coisas que são apropriadas para nós. Nós não seremos capazes de ler nada além disso no Livro do Zohar, nem imaginar, ouvir ou ver além. Mas, de fato, o conteúdo deste livro é muito maior do que aquilo que vemos atualmente. Nós apenas não conseguimos ver isso por enquanto. Nós somos capazes de ver apenas uma pequena parte, como se nós estivéssemos sendo ensinados por um professor experiente que é capaz de nos dar apenas aquilo que é benéfico para nós, e nada além disso.

Por isso, nós não devemos temer dar tudo o que temos tentando encontrar os conceitos internos dentro de nós, os quais são descritos pelo texto diante de nós. Nós vamos ascender a essas noções, vamos reconhecê-las e senti-las por um tempo, como uma criança que cresce durante um dia, uma semana ou um mês, e então é capaz de entender mais do que antes; ela ganha a habilidade de revelar coisas mais profundas, mais internas. Anteriormente, a criança não podia ver ou reconhecer essas coisas porque elas simplesmente estavam além do seu campo de visão.

O nosso desenvolvimento espiritual acontece da mesma forma: com a releitura do mesmo texto, nós vamos continuamente revelar novas qualidades internas e novas conexões.

1 de dez. de 2009

O Mundo Espiritual Através Dos Desejos Dos Outros


Traduzido de The Spiritual World Is Felt Through The Desires Of Others
Autor: Rav Michael Laitman


Quando você traz os desejos dos outros para mais perto de você, você satisfaz a condição necessária para o sentimento do mundo espiritual, “Ame seu próximo como a si mesmo.” Através da transformação dos desejos dos outros nos seus próprios desejos, você sentirá o Mundo Superior através deles. Então, o que você tem que fazer para trazer os desejos deles para perto de você? Você tem que tentar visualizar a correlação entre você e os outros na seguinte forma.

O que para você parece ser uma outra pessoa, o “próximo,” é na verdade o seu próprio desejo. Ele está fora de você com o intuito de te dar a oportunidade de aceitá-lo como corrigido. Existem desejos egoístas dentro de você que você não consegue corrigir; você pode apenas “congelá-los” e ascender por cima deles. Além disso, existe também um desejo “externo” de desfrutar que está do lado de fora de você; mas ele só parece externo porque ele está corrigido em relação a você e tem a forma de doação!

Existe um grande Kli ou desejo comum que está totalmente direcionado à doação. E então existe você, o recebedor, que tem apenas a sua pequena caixa preta. Você quer ver a verdadeira realidade? Vá em frente – ela está dentro desse Kli comum! Está lá! Tudo o que você tem que fazer é entrar, se tornar parte dele e senti-lo! Ele está acima e além de todas as fronteiras e limites; Ele é absolutamente bom e faz apenas o bem. Ele não tem vida nem morte, apenas satisfação infinita.


Os desejos das outras pessoas já estão corrigidos. Elas estão todas dentro de Malchut do Mundo da Infinidade, o que inclui a tudo. No entanto, você tem que adquiri-los, e você pode fazer isso apenas gradualmente, pouco a pouco. Você entra lá um pouquinho de cada vez, até você o abranger por inteiro. Neste caminho você passa por cinco mundos e 125 níveis, adquirindo gradualmente todo esse enorme desejo.

No entanto, você adquire aquilo que já está pronto e corrigido! Você só tem que saber como receber isso através da correção da sua atitude frente a isso, conectando-se a isso de forma certa. Este é o significado de Malchut do Mundo da Infinidade.

Os Cabalistas escrevem que o “próximo” é o seu Kli espiritual que já está corrigido e está fora de você, em outras pessoas. Você apenas tem que torná-lo parte de você, conectar-se a ele e abordá-lo corretamente. Você tem que realizar uma restrição (Tzimtzum Alef) no seu egoísmo a fim de certificar-se que você não demanda mais do que o seu corpo animal necessita. E então tudo mais será o seu Kli, e você pode receber isso!

Esse desejo que está fora de você é a sua alma, enquanto que o “você” de hoje é uma ilusão passageira.

25 de nov. de 2009

Qual é a essência da Cabala?




Transcrição


Minha pergunta seria: Qual é a essência da sabedoria da Cabala? É isso.

Qual é a essência da Cabala? Bem, tem havido muita confusão, lenda, mito e má interpretação cercando a verdadeira natureza da Cabala. Porque tem sido cercada de mistério através de milhares de anos. E é chamada a ciência oculta por 3 razões:

No passado os cabalistas ensinavam apenas algumas pessoas altamente desenvolvidas de cada geração e que já possuiam certas qualidades internas, não encontradas até recentemente na humanidade em geral. E estas qualidades lhes permitiam entende-la e usa-la corretamente. Em primeiro lugar foi oculta propositadamente pelos próprios Cabalistas.

Todos os livros Cabalistas são escritos de uma maneira em que usam palavras que parecem falar de pessoas e coisas. Mas de fato, nem uma única palavra de qualquer livro Cabalista fala do mundo físico. E se você não aprende como ler estes livros com um Cabalista de uma linhagem autêntica de ensino, você simplesmente não poderá entende-los. Não interessa quão esperto você seja. O que você acabará conseguindo será um produto da sua imaginação e nada mais.

A Cabala revela o propósito e a natureza deste sistema que nós chamamos vida. E se uma pessoa não tiver ao menos uma grande, real e séria necessidade de fazer esta pergunta ela não poderá ouvir a resposta mesmo que seja gritada para ela. Mas hoje em todo o mundo muitas pessoas estão descobrindo a Cabala.

Então, vamos esclarecer esses malentendidos. Primeiro, vamos olhar para o que a Cabala não é.

Não é e não tem nada a ver com: religião, mágica, misticismo bruxaria, advinhação, cultos curas, meditação, auto-ajuda filosofia, percepção extra-sensorial telepatia, vidência e qualquer outra crença... embora muitas destas tenham tomado emprestado e mal interpretado os principios da Cabala nos últimos anos.

Agora, o que ela é realmente. O Cabalista Yeshuda Ashlag define assim a Cabala: "A sabedoria não é nada mais nada menos do que uma sequencia de raizes que estão suspensas por meio de uma relação de causa e efeito em regras predeterminadas resultando em único e destacado objetivo que é A revelação de Sua Divindade para Suas criaturas neste mundo".

Isto significa a existência de uma Força Superior e existem Forças Regulatórias que vêm desta Força Superior e são responsáveis por nossa existência neste mundo. Somos familiares com as forças físicas como a gravidade o eletromagnetismo e até o poder do pensamento. Mas há forças de uma ordem bem superior que agem mesmo estando ocultas de nós. Do mesmo modo que podemos sentir os efeitos da eletricidade mas não podemos vê-la e não sabemos exatamente o que é. A última e abrangente força é o Criador, a soma de todas as forças do mundo e o mais alto nível na linha das Forças Regulatórias. Essa Força Superior criou os cinco mundos e a barreira que os separa do nosso mundo.

A ciência da Cabala não estuda o nosso mundo e as suas pessoas do modo que a ciência tradicional o faz. Ela investiga tudo o que existe além desta barreira.

Não há nada além das Forças que descem do Alto de acordo com estas leis e as leis, como escreveu Ashlag, são fixas, absolutas. Elas estão em toda a parte e finalmente elas estão dirigidas para que nós possamos apreender as Leis Regulatórias da Natureza, enquanto ainda estamos neste mundo.


Fonte: Bnei Baruch - Instituto de Pesquisa e de Estudos da Cabala

24 de nov. de 2009

Shamati 50 - Dois Estados

Traduzido de Two States
Autor - Baal HaSulam


Há dois estados para o mundo. No primeiro estado, o mundo se chama “dor”, e no segundo estado ele se chama “Sagrada Shechina (Divindade)”. Isto porque antes de uma pessoa ser dotada com a correção dos seus atos para terem o fim de doar, a pessoa sente o mundo apenas na forma de dores e tormentos.

No entanto, depois a pessoa é recompensada com a visão de que a Sagrada Shechina está vestida no mundo inteiro, e então considera-se que o Criador preenche o mundo. E assim o mundo se chama “Sagrada Shechina”, a qual recebe do Criador. Isto se chama “a unificação do Criador e da Divindade”. Tal como o Criador dá, tabém o mundo agora se ocupa unicamente com a doação.

É como uma música triste. Alguns músicos sabem representar o sofrimento sobre o qual a música é composta, porque todas as melodias são como uma língua falada onde a música interpreta palavras que alguém quer dizer em voz alta. Se a música evoca o choro entre os ouvintes de forma que todos choram por causa do sofrimento que a melodia expressa, ela então se chama “uma música”, e todos amam ouvi-la.

No entanto, como as pessoas podem apreciar o sofrimento? Visto que a música não aponta para um sofrimento presente, mas para o passado, ou seja, tormentos que já passaram, foram adoçados, e receberam suas satisfações, por essa razão as pessoas gostam de ouvi-los. Isto indica o adoçamento dos julgamentos, que as dores que se tinha foram adocicadas. É por isso que esses sofrimentos são doces de se ouvir, e então o mundo se chama “Sagrada Divindade”.

O importante que a pessoa deveria saber e sentir é que existe um líder para a cidade, como nossos sábios disseram, “Abraão o Patriarca disse, ‘Não há cidade sem um líder.’” Não deve-se pensar que tudo o que acontece no mundo é casual e que a Sitra Achra leva a pessoa a pecar e a dizer que tudo é incidental.

Este é o significado do Hammat (vaso de) Keri (sêmen). Existe um Hammat preenchido com Keri. O Keri leva a pessoa a pensar que tudo é Bemikreh (incidental). (Mesmo quando a Sitra Achra leva alguém a tais pensamentos para dizer que tudo é incidental, sem orientação, isto também não é por acaso, mas o Criador quis dessa forma.)

No entanto, deve-se acreditar em recompensa e punição, e que há um julgamento e que há um juiz, e tudo é conduzido pela Providência da recompensa e punição. Isto porque às vezes, quando alguém deseja e o despertar para o trabalho de Deus vem até a pessoa, e ela pensa que isto veio até ela por acaso, ela deveria saber que ali também ele fez um esforço que precedeu o ato de escutar. Ele rezou para ser ajudado pelo Alto para ser capaz de realizar uma ação com a intenção, e isto se chama elevar MAN.

Contudo, a pessoa já esqueceu isso e não considerou este feito, visto que ela não recebeu uma resposta instantânea para a oração, como se dissesse, “pois Vós ouvis a oração de todas as bocas.” Ainda assim, a pessoa deve acreditar que a ordem do Alto é que a resposta à oração pode vir vários dias e meses depois da pessoa orar.

A pessoa não deve pensar que foi por acaso que ela recebeu este despertar atual. Às vezes ela diz, “Agora que eu sinto que não me falta nada e que eu não tenho preocupações, minha mente está clara e saudável agora, e por essa razão eu posso focar minha mente e meu desejo no trabalho de Deus.”

Segue-se que a pessoa pode dizer que todo o seu compromisso com o trabalho de Deus é, “o seu poder e a força de sua mão trazem-no esta riqueza.” Assim, quando a pessoa pode empenhar-se e alcançar necessidades espirituais, ela deve acreditar que isto é a resposta à oração. Pelo que a pessoa rezou antes, essa oração agora foi respondida.

Além disso, às vezes quando lendo algum livro, e o Criador abre os olhos da pessoa e ela sente algum despertar, aí também a conduta usual da pessoa é relacionar isto com o acaso. No entanto, tudo isto é guiado.

Apesar da pessoa saber que toda a Torá são os nomes do Criador, como ela pode dizer que através do livro que ela está lendo veio algum tipo de sensação sublime? A pessoa deve saber que ela frequentemente lê o livro e sabe que toda a Torá são os nomes do Criador, mas mesmo assim não recebe nenhuma iluminação ou sensação. Ao contrário, tudo é seco e o conhecimento que a pessoa tem não a ajuda de forma alguma.

Por isso, quando uma pessoa estuda um certo livro e coloca sua esperança n’Ele, o seu estudo deve ser baseado na fé, que ela acredita na Providência e que o Criador vai abrir seus olhos. Neste momento ela passa a ter a necessidade do Criador e assim tem contato com o Criador. Através disso, ela certamente alcança a adesão com Ele.

Há duas forças que contradizem uma à outra, uma Força Superior e uma Força Inferior. A Força Superior é, como está escrito, “Todos os que são chamados pelo Meu Nome, e quem Eu criei para a Minha glória.” Isto significa que todo o mundo foi criado apenas para a glória do Criador. A Força Inferior é a vontade de receber que argumenta que tudo foi criado para ela, tanto coisas corpóreas quanto espirituais, tudo para o amor-próprio.

A vontade de receber argumenta que ela merece este mundo e o próximo mundo. Certamente, o Criador é o vencedor, mas isto se chama “o caminho da dor.” Isto se chama “um caminho longo”. Mas há um caminho curto, chamado “o caminho da Torá”. Isto deveria ser a intenção de todos – encurtar o tempo.

Isto se chama “Eu vou apressá-lo.” Caso contrário, isto seria “a seu tempo”, como nossos sábios disseram, “recompensado – Eu vou apressá-lo; não recompensado – a seu tempo,” “que Eu coloco sobre você um rei tal como Haman, e ele o forçará a se reformar.”

A Torá começa com Beresheet (No começo), etc. “Agora a terra era informe e o vazio, a escuridão,” etc., e termina “à vista de toda Israel.”

No começo nós vemos que a terra é “informe e o vazio, a escuridão,” mas quando eles se corrigem para doar, eles são então recompensados com “e Deus disse, que haja luz etc.” até a Luz aparecer “à vista de toda Israel.”


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22 de nov. de 2009

O Poder Da Unidade Reina Supremo



A tela (Masach) é uma força anti-egoísta que bloqueia a passagem da Luz. Ela permite uma parte da Luz entrar no Partzuf espiritual (a alma), para se tornar a “Luz Interior,” enquanto a outra parte da Luz não pode ser recebida com o intuito da doação e continua do lado de fora como a “Luz Circundante.”

As Luzes Interior e Circundante são opostas uma à outra, mesmo apesar de serem a mesma Luz. A tela as divide por se relacionar a cada uma delas de forma diferente. É como dois amigos que vêm à minha casa e desejam entrar. Eu deixo um deles entrar com prazer e mando o outro embora rudemente. Como os dois antigos amigos vão se sentir um quanto ao outro agora, depois de eu tê-los separado!?

A mesma coisa acontece aqui. A Luz vem como um único todo, mas é dividida em duas partes pela tela. Essas duas partes são diferentes uma da outra, mas apenas em relação à atitude da tela com cada uma. É por isso que as duas Luzes lutam para cancelar a tela a fim de se unirem novamente; elas sentem que a tela está atrapalhando. A Luz Interior quer cancelar a tela para que sua amiga possa ser aceita também. A Luz Circundante diz: “Se você não quer nós duas, então você não vai ter nenhuma!”

Então a tela fica sem escolha e revoga sua decisão. Ela ascende e expulsa toda a Luz. Então qual é a decisão que ela revoga? A decisão de dividir a Luz em duas. A barreira que foi colocada entre elas agora deve ser removida. Este processo se chama o enfraquecimento (ou afinação) da tela. A unidade da Luz é mais forte do que a barreira que a tela deseja estabelecer, e então a Luz derrota a tela com o poder da sua unidade!

16 de nov. de 2009

Está na hora de tirar as vendas dos olhos


Fonte: Blog do Cabalista Rav Michael Laitman

Pergunta: Por que as pessoas associam os mandamentos com a correção do corpo?

Resposta: Certamente nós não corrigimos nossos braços e pernas. Nós estamos falando do “corpo de um objeto”, que é a alma, o desejo, ou partes da alma, ou seja, os desejos indivuais. A diferença entre os desejos da alma e os desejos corpóreos é que os desejos da alma são formados com qualidades semelhantes ao Criador – usar a si mesmo a fim de doar ao invés de receber para si próprio.

O corpo físico não tem nada a ver com isso. Nós podemos fazer transplantes, remover partes do corpo ou órgãos, e fazer transfusões de sangue. Os hospitais não verificam se os doadores são “justos” e é possível que aqueles que recebem partes do corpo ou sangue os recebem de alguma pessoa injusta. Isto se deve à grande confusão em relação ao corpo espiritual e nosso corpo de carne e osso causada pelo misticismo, contos macabros e estórias de terror religiosas.

Os mandamentos descrevem uma correção dos desejos, e não a correção do corpo animal. Os corpos nos quais existimos são necessários apenas para mantermos uma existência física, mas enquanto estamos entre os desejos do nosso mundo, um embrião da alma emerge, e nós precisamos ser capazes de desenvolver este pequeno desejo ao nível do Criador.

Por isso, tradições e religiões não têm nada a ver com a correção da alma. Deixe as pessoas do mundo inteiro manterem suas tradições e, ao mesmo tempo, corrigirem seus desejos com o fim de amar seus próximos como a si mesmos. Enquanto isso, a carne não vai mudar.

Não há nada spiritual em ações mecânicas. É muito bom se elas te acalmam e criam um formato de vida confortável. Apenas não minta para si mesmo, acreditando que você corrige a sua alma através dessas ações e ganha a sua entrada para o “mundo vindouro.” O mundo vindouro é a revelação do Criador. Se você não prepara a sua alma para isso, então você não tem onde revelar a Ele, nem antes nem depois do corpo animal perecer.

Está na hora de tirar as vendas dos olhos da humanidade e de todos perceberem que em toda a nossa vida terrena, existe apenas um ponto espiritual chamado “o ponto no coração,” a entrada para o mundo espiritual.


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10 de nov. de 2009

Não existem atalhos para a espiritualidade

Traduzido de There Are No Shortcuts Into The Spiritual World

Fonte: blog do Cabalista Rav Michael Laitman

Pergunta: Se eu vier a conhecer o mundo inteiro, então eu serei capaz de ganhar todo o dinheiro do mundo e usá-lo para disseminar a Cabala para a humanidade inteira. Como resultado, o mundo inteiro alcançará a espiritualidade e eu também junto deles. Então, pode-se concluir que eu posso usar o conhecimento ou até mesmo a riqueza para alcançar a espiritualidade?


Resposta: Mesmo se o mundo inteiro alcançasse a espiritualidade, você não a alcançaria junto deles. Você precisaria exercer esforços de acordo com a raiz da sua alma de forma a corrigi-la, caso contrário você não teria o órgão sensorial (o vaso, o Kli) para sentir o mundo espiritual. O mundo espiritual não pode ser servido num prato para ninguém.

Mesmo se todos corrigissem a si mesmos e te levassem para o mundo espiritual com eles, você continuaria sendo um mero ponto entre eles, incapaz de sentir nada. Afinal, você está no mundo espiritual agora mesmo, cercado pelo mundo da Infinidade, mas você não o sente porque você não tem os meios com os quais fazer isso.

A única pessoa que pode te desenvolver é você mesmo. Este desenvolvimento acontecerá apenas sob a influência da Luz Superior e na medida da sua aspiração por ela. Somente a colisão entre a Luz e o desejo, as entradas e saídas da Luz, tornam possível para você senti-la. Quem mais pode fazer isso se não você?

Naturalmente, se você outorga aos outros através da participação na disseminação da Cabala, isso te ajuda. Mas os seus esforços são necessários. A espiritualidade é adquirida não com dinheiro, mas com o trabalho individual. Onde mais você iria sentir o mundo espiritual? Você tem que ter fome por isso e aumentar essa fome dentro de si mesmo – a fome pela outorga, pela conexão com os outros, por mesclar-se com o Criador. Você acha que alguém vai simplesmente te levantar e te carregar com eles feito uma mala?

Você pode receber um sentido do mundo espiritual agora mesmo! O mundo da Infinidade está em toda a sua volta, então o que está te impedindo? A falta do desejo é o que te impede.

6 de nov. de 2009

Até quando é preciso reencarnar?


Fonte: Kabbalah Library
Autor: Rabash

Para evitar ter que reencarnar novamente, que nível espiritual deve ser alcançado?

Os Cabalistas dizem que todas as almas devem reencarnar até aperfeiçoarem todo o seu N-R-N-Ch-Y (as cinco partes da alma, Nefesh-Ruach-Neshama-Chaya-Yechida). No entanto, a maioria das pessoas não tem todas as cinco porções que se chamam N-R-N-Ch-Y, mas apenas Nefesh, que é do mundo de Asiyah.

Fica implícito neste trecho que a pessoa precisa corrigir-se apenas de acordo com a sua própria porção e de acordo com a raiz individual da sua alma particular, e nada mais. Com isso, fica completo aquele aspecto da alma completa o qual ele precisava corrigir.

É necessário saber que todas as almas são extensões da alma geral de Adam Harishon (o primeiro homem).

Como resultado do pecado da árvore da vida, sua alma foi divida em 600.000 almas. A “luz” de Adão, designada Zei’ra Ila’ah (esplendor superior) no Sagrado Livro do Zohar, era única, completa e unificada, e de repente, no momento do Pecado, se dispersou e se fragmentou em muitas luzes.

Consulte, por favor, no livro Panim Masbirot, página 56, o parágrafo começando com a frase “E é necessário:” e isto é, que após o bem e o mal terem sido misturados (ou seja, após o pecado), uma larga estrutura foi feita para os klipot (cascas – poderes impuros) para dá-los o poder de ter um controle da santidade, etc. Como proteção dos klipot, a luz dos sete dias da criação foi dividida em porções bem pequenas, as quais são muito minúsculas para prover o sustento para os klipot.

Houve um rei que quis enviar uma grande quantidade de moedas de ouro para o seu filho que vivia no exterior. Todos os habitantes do seu país eram ladrões e trapaceiros. Ele não tinha nenhum mensageiro confiável sequer. O que ele fez? Ele separou as moedas de ouro e as enviou através de muitos mensageiros. Cada mensageiro individual decidiu que não valia a pena ter o risco da fúria do rei por um roubo tão insignificante.

Da mesma forma, uma multidão de almas através de vários dias pode resgatar os fragmentos de nitzotim kedoshim (centelhas divinas) que foram usurpadas pelos klipot (o mal) depois do pecado da etz hadaat tov (a árvore do conhecimento do bem).

A “multidão de almas” representa as luzes interiores. Os “muitos dias” representam as luzes exteriores. As luzes interiores iluminam o presente, enquanto as luzes circundantes vão iluminar no futuro. Todas as moedas se combinam para completar a luz original, na presença da qual Adam Harishon pecou. E então haverá a correção completa.

Todos nascem com uma pequena porção da alma de Adam Harishon. Quando a pessoa corrige sua porção, ela afasta a necessidade de reencarnar. A pessoa corrige apenas aquilo que pertence à sua pequena porção. O Ari Za"l, no livro Etz Chaim, escreveu: “um dia não se compara ao outro, um momento não se compara ao outro e uma pessoa não se compara a outra. Mas todos têm que consertar aquilo que pertence à sua porção.”

Todos os que nascem têm o serviço da escolha, pois a pessoa não nasce justa, como os Cabalistas dissera (nidah 15, 2): “rabi chaninah bar papah aprendeu que o anjo responsável pela gravidez, laylah o seu nome, pega uma gota e leva-a diante do Criador. Ele diz frente a Ele ‘Mestre do mundo! Esta gota, o que vai ser dela, forte ou fraca, sábia ou tola, rica ou pobre, no entanto, injusto ou justo não está predeterminado, etc.’”

Então, a pessoa não nasce justa, pois justa ou injusta não está predeterminado, mas é deixado para o livre arbítrio da pessoa. Todos de acordo com seu trabalho na Tora e Mitzvot merecerão refinar seu coração e corrigir o seu indivíduo de acordo com a raiz da sua alma. E então ele está completo.


Artigo relacionado: Livre Arbítrio

3 de nov. de 2009

Face à Face com o Ponto no Coração

Traduzido de Face To Face With The Point In The Heart
Autor: Rav Michael Laitman


Todo mundo passa pelo despertar do “ponto no coração” pelo menos uma vez na vida. Mas as pessoas normalmente pensam que o vazio e os sentimentos ruins que elas têm são causados por questões terrenas. A pessoa não entende que isto é a sua alma despertando dentro dela e pedindo para ser desenvolvida.

A maioria das pessoas não presta atenção a esses momentos, os quais vêm a elas em vários ciclos de vida. Elas não entendem que esses momentos estão urgindo-as para começar a desenvolver a alma. Ao invés disso, elas pensam que tais momentos são gerados pelas causas práticas usuais, e não pela sublime meta superior.

No entanto, depois de ser desperta várias vezes dessa forma, a pessoa começa a entender por que ela se sente mal. Este entendimento chama-se o reconhecimento do mal. A pessoa percebe que ela se sente mal não porque ela está vazia, mas por causa das mentiras e da falta da verdade. Ela sente isso de forma tão forte que ela está pronta para ouvir a verdade, não importa o quão amarga ela venha a ser.

E então ela está pronta para suportar a ausência da satisfação e prefere fazer uma restrição no seu próprio egoísmo em favor da aproximação à verdade. A pessoa tem que entender que quando questões difíceis a perseguem, quando sua mente está pesada e ela se sente impotente, este é o começo da revelação da alma. Neste ponto, ela não tem outra escolha a não ser desenvolvê-la, visto que de outra forma, ela vai apenas prolongar o seu sofrimento.


Artigos relacionados:
Por que me sinto mal se tenho tudo?
Por que estou procurando por algo espiritual?

27 de out. de 2009

Movendo Junto Com O Criador


Traduzido de Moving Together With The Creator
Autor: Rav Michael Laitman


No momento nós desejamos nos aproximar do Criador de baixo para cima a fim de alcançá-lo. No entanto, quando nós disseminamos, nós nos movemos juntos com Ele. Dessa forma, uma pessoa que faz isso é considerado um parceiro semelhante ao Criador.

O Criador não pode realizar a disseminação no nosso lugar, ou revelar a si mesmo no nosso mundo. Se o Criador fosse revelado no nosso mundo, nós iríamos automaticamente aspirar por Ele como que por algo incrivelmente valoroso, grande e que vale a pena. E então nós nunca nos livraríamos do nosso egoísmo. O nosso egoísmo ficaria obcecado pelo Criador de tal forma que nós ficaríamos loucos desejando receber a Sua satisfação. Por isso, Ele tem que se ocultar até nós realizarmos uma restrição sobre nós mesmos e nos erguermos acima do nosso egoísmo.

Quando fizermos isso, nós seremos capazes de revelar a Ele a fim de nos tornarmos semelhantes e, ao mesmo tempo, opostos a Ele. Se eu fizer esse escudo ou tela para mim mesmo que me bloqueia d’Ele, então o Criador pode ser revelado. Haverá ainda 100% de ocultação entre nós. A única questão é: o Criador oculta a si mesmo, ou eu oculto o meu egoísmo d’Ele? À medida que eu formo minha própria tela, o Criador pode remover a tela d’Ele mesmo. A disseminação da Cabala, a revelação do Criador para a criação, não é algo que vai contra nós. Ao contrário, é quando nós nos movemos juntos d’Ele e nos tornamos Seus parceiros.

E então nós vamos até mesmo ser capazes de andar à frente d’Ele através da disseminação do conhecimento sobre como revelar a Ele. Nós vamos então ser Seus mensageiros, agentes e ajudantes – Suas mãos. Esse é o tamanho da importância da nossa missão para o Criador, quanto mais para as pessoas que estão sofrendo como crianças pequenas e tolas, sem nem mesmo saberem o porquê delas estarem sofrendo.

13 de out. de 2009

Hora De Agir - Vídeo-Aulas

Algumas aulas do Instituto Bnei Baruch de Israel exibidas em kab.tv agora são traduzidas para o português e disponibilizadas no endereço kabbalahmedia.info. As duas aulas abaixo são baseadas no artigo Hora de Agir (Time to Act em inglês), de Baal HaSulam. Cada aula tem em torno de 50 minutos de duração.


Hora de Agir - 1ª aula



(clique com o botão direito, selecione "salvar como")



Participe também do curso introdutório Fundamentos da Cabala com aulas dubladas em português.

6 de out. de 2009

Devo Parar De Assistir Novelas?




Devo parar de assistir novelas se eu sei que isso desperdiça o meu tempo?

Uma pergunta que recebi: Por que é que quando estou em casa sozinho, eu não consigo me fazer abrir um livro de Cabala e ao invés disso eu gasto o meu tempo assistindo novelas na televisão? Mas quando eu vou à aula e estudo lá, eu não trocaria uma lição nem mesmo pelo melhor filme.

Minha resposta: Quando você deixa a sala de aula, você se encontra em meio à vida material, um estado inconsciente em relação ao estado espiritual. É a nossa vontade de receber brincando conosco e nos fazendo desperdiçar nossas vidas a fim de interferir com o nosso progresso espiritual.

Por outro lado, isso te ajuda mostrando como o seu tempo é desperdiçado, e como todos os prazeres que você recebe desaparecem sem deixar rastros. Você, então, compreende que apenas o ambiente pode te ajudar. Se as pessoas a sua volta pensarem em apoiar umas às outras, então você não será capaz de assistir novelas quando você estiver em casa, por causa da importância da espiritualidade que transmitem para você. Você sentirá que essa ação é uma queda, como se você voltasse a ser uma criança construindo uma casa com pequenos blocos.

Você não é culpado por gastar o seu tempo em frente à TV. O seu único erro é a falha em construir um ambiente à sua volta que te influencie para que você não possa desperdiçar o seu tempo sem um propósito.

Isto não significa, no entanto, que você tem que se obrigar a desligar a TV. A Cabala é contra esse tipo de coerção. A pessoa tem que trabalhar, estudar, e viver a vida justamente como uma pessoa comum. Você não deve tentar mudar nada em você à força, mas apenas através de receber do ambiente o sentido da importância da espiritualidade.

Não há coerção na espiritualidade! Você não pode amarrar suas mãos e pés e se considerar justo. Isto não é correção!

Você vai se corrigir apenas quando você mudar os seus desejos e se elevar acima dessa série de TV. A Luz tem que te corrigir, ao contrário de intimidações ou ameaças do fogo do inferno após a morte. A ciência da Cabala não é uma religião, e ela fala somente sobre correção. O único meio de fazê-la é aumentando a influência do ambiente sobre você. Este é o único livre arbítrio que você tem e uma condição necessária para o avanço espiritual.

Agora você pode ir assistir TV...

30 de set. de 2009

Quanto Ao Amor

Uma antiga entrevista com Rav Michael Laitman
Traduzido de Concerning Love


Você pode dar uma explicação Cabalística do sentimento do amor?

O amor é a percepção da união e é alcançada pela equivalência ou igualdade de atributos. A lei de equivalência de forma é a única lei de acordo com a qual o universo inteiro se move e traz tudo o que existe ao Criador. A Cabala diz que o maior prazer no mundo é a percepção de união com o Criador. Nosso amor terreno é meramente um reflexo fraco deste amor maior. Nós não percebemos o que significa ser preenchido pelo Criador. No entanto, confie em mim, isto está acima de todas as outras percepções!

O amor genuíno só pode ser ilimitado! No entanto, se ele não tem limites, então ele causa o desgosto no recebedor e até mesmo ódio. Nós podemos ver isso nas relações de crianças com seus pais ilimitadamente devotados. Isto também acontece em relacionamentos românticos entre homem e mulher. Este sistema de relacionamentos não acontece por acaso. Por isso, para dar ao homem a oportunidade de alcançar o amor genuíno e preservá-lo, para que o amor não se transforme em desgosto ou mesmo ódio, o Criador criou tal sistema de interação no qual o Criador e o Seu amor estão originalmente ocultos do homem e eles se revelam apenas ao nível do temor da pessoa de perder este amor.

Por isso, o primeiro mandamento da Tora é o temor e o segundo é o amor. Além disso, o temor não se refere ao medo egoísta de perder o amor. Ao invés disso, este é o temor de “eu fiz tudo o que eu podia pelo meu amado?” Apenas à medida que a pessoa alcança este tipo de temor, o Criador se revela a ele e revela o Seu amor por ele. Quando nós corrigimos completamente o nosso egoísmo, nós chegamos ao merecimento do amor completo, ilimitado e eterno do Criador. Dessa forma, através da revelação do amor, nós alcançamos a manifestação de mutualidade.

Obviamente, no nosso mundo, ou seja, aos olhos de uma pessoa não corrigida, é impossível alcançar esse tipo de sentimento. Por isso, no nível terreno, nós devemos aspirar por sermos corrigidos. À medida que nós nos tornamos equivalentes ao escalão comum, o Criador, nós nos tornamos capazes de amar um ao outro como partes de um todo, ou da Alma comum. Nós adquirimos a habilidade de ver nossa verdadeira companhia, ambas a companhia espiritual e a física ou terrena. Juntos nós seremos realmente capazes de perceber a união total ao nível da nossa ascensão espiritual.

Nada aproxima um homem e uma mulher mais do que o estudo mútuo da Cabala. Há um motivo para o provérbio “Marido e esposa – a Shehina está entre eles”. A Shehina é a presença Divina. De acordo com o aconselhamento do meu professor, eu encorajo casais a estudarem mutuamente em casa. Nós aceitamos isto como uma prática constante. Por isso, muitas de nossas famílias podem se vangloriar de ter a percepção do amor. Nós desejamos que vocês tenham o mesmo.

Quais são as razões objetivas para a emergência desse sentimento – o amor?

O amor no nosso mundo e no mundo Cabalístico é uma reação específica aos prazeres. Ou seja, sentimentos que emergem em nós em resposta ao prazer recebido. Nosso amor mais regular por qualquer coisa emerge como resultado do fato de que o objeto que amamos contém prazer, algum tipo de luz ou ainda uma micro-dose de luz. Esta é a única razão de gostarmos deste objeto. Ele nos atrai e este sentimento por ele emerge em nós. Este objeto pode ser crianças, o sexo oposto ou uma comida deliciosa. Isto é subjetivo para cada pessoa, ou seja, isso é relativo aos atributos da alma de cada pessoa.

Um Cabalista, ou uma pessoa que continua a estudar a Cabala, vai entender, ver e perceber que esse sentimento – o amor – é mais abstrato. Ele emerge dentro dela em direção à luz, ou em direção àquilo que se veste em objetos no nosso mundo e causa o amor a esses objetos numa pessoa. Ele vai sentir que o sentimento do amor não simplesmente pelo objeto ou pela casca, mas pela própria luz, a qual é absolutamente separada da casca.

Dessa forma, este amor emerge e gradualmente se transforma em amor pela Fonte de todo o universo ou pela Fonte da sua alma. Em termos práticos, todas as nossas músicas sobre amor, nossas poesias e todas as nossas emoções; tudo isso é a nossa busca pela micro-dose de luz que está no nosso mundo e que brilha em nós através das várias formas do nosso mundo.

Você quer dizer que o amor por uma mulher é uma casca?

Em Cabala, o mais alto nível que uma pessoa pode ter é “amar o seu Criador”. Ou seja, amar a Fonte, a qual é precisamente a fonte de todos os outros prazeres.

Um Cabalista pode amar uma mulher, ou apenas o Criador?

Os atributos de uma pessoa que estuda a Cabala se desenvolvem e se aprofundam grandemente. Ele sente o universo inteiro em todos os seus detalhes e ele sente a parte feminina de si mesmo de tal forma que ele é precisamente aquele que é capaz de chegar à percepção de uma mulher (que é completamente oposta a ele na estrutura de sua alma) através da percepção do Criador. Sem alcançar o mundo Superior, um homem não é capaz de fazer isso; ele é fisicamente incapaz de fazer isso. Ele não tem as habilidades apropriadas, ele é incapaz de sair de si mesmo, e ele simplesmente não consegue entender o que uma mulher quer dele. Isto é impossível para ele, e ele não deve ser repreendido por isso. Se você quer que o seu marido te ame, então transforme-o num Cabalista.

Qual é a raiz da moda, jóias e maquiagem?

Os esforços de uma pessoa para cobrir a si mesma com coisas bonitas vêm de um desejo interior, assim como todas as nossas ações. A Cavala diz que toda vestimenta são correções. Depois do seu pecado, Adão descobriu que lhe faltava uma vestimenta; por isso um erro foi revelado a ele – a nudez – ou a falta da correção no seu egoísmo. Antes disto acontecer, ele não tinha vergonha porque o egoísmo não havia sido revelado. Como uma criança, ele não sentiu vergonha diante do Criador.

No nosso mundo, o anseio de se cobrir vem de um egoísmo diferente, porque ele não vem da percepção do Criador. Ao invés disso, ele vem do anseio da pessoa por fama e poder. Ou seja. As vestimentas e as decorações não vêm di desejo de ser corrigido. Em vez disso, estes são desejos do Klipot (as forças impuras ou desejos não corrigidos). Eles aspiram pelo externo ao invés do interno e eles adicionam mais objetos externos a si próprios. Isto acontece a todos que estão conectados com o externo.

Aqueles que aspiram pelo interior fazem justamente o oposto; eles estão prontos para tirar tudo. Ou seja, eles não levam em consideração nenhum sinal externo, medalhas ou símbolos especiais. Eles podem andar por aí em trapos visto que a coisa mais importante para eles é o interior. Isto porque eles constantemente revelam uma profundidade cada vez maior neles mesmos. Neste caso, as coisas interiores de ontem se tornam as coisas externas de hoje, e essas pessoas se livram delas.

Como você se relaciona pessoalmente com poesia e amor?

Eu gosto de todas as expressões dos bons sentimentos de uma pessoa, porque mesmo quando elas falam sobre manifestações animais, eu vejo a consagração do Criador nisso. Todas as nossas músicas, poemas e, em geral, percepções, são a percepção da Sua luz, o preenchimento dos nossos desejos. Isto é Ele, apesar de não numa forma revelada e desejável. Alcançar o Superior nos dá a habilidade de alcançar prazeres que são bilhões de vezes maiores, e fazer isso constantemente, eternamente e perfeitamente. A Cabala desenvolve a nossa percepção (aumenta o Kli) ao infinito, ou seja, sem barreiras, ou o quanto você quiser! O amor é o cume de toda realização; ele é a mais alta percepção, quando uma pessoa é unificada com o universo inteiro.

O que é a felicidade?

A felicidade é a percepção da realização das habilidades interiores de uma pessoa. Isto é completamente revelado apenas quando a pessoa entende precisamente o que ela deveria realizar e como ela deveria chegar a isso. Além disso, ele entende qual é a sua meta, como a meta eterna é, e que isto não depende de nada; que a principal e única coisa no mundo é realizada por ele agora. Ou seja, a felicidade é a percepção da proximidade com o Criador, porque esta é a Meta da Criação. Ela é a percepção do movimento em direção à perfeição eterna.

Como esta satisfação acontece? Eu vou te dizer de que ela consiste. A Cabala fala sobre uma única pessoa. Todo o mundo está dentro dela, ou seja, marido, mulher, filhos, casa, o Criador, o Universo, e todas as nações do mundo. Tudo isto está localizado dentro de uma pessoa, mas na forma de várias forças e de vários atributos em nós.

Quando se diz que uma pessoa deve encontrar sua outra metade e deve se conectar a algo, isto se refere ao fato de que ela deve encontrar o seu Kli corrigido. Ela deve encontrá-lo e trabalhar com ele. Isto não significa que ela deve encontrar um parceiro para a cozinha ou para a cama.

Se nós descrevermos como a Cabala explica tudo isso na sua forma pura, então isto não se refere a uma família e um lar. Ao invés disso, isto se refere à criação de um Kli interior numa pessoa, ou uma alma preparada, a qual o Criador poderá de preencher. Nós sempre percebemos o Criador dentro de nós mesmos. Mesmo neste mundo, o mundo que nós percebemos a nossa volta hoje, é a percepção do Criador, mas num nível ou grau de ocultação que nós chamamos de “nosso mundo.”

Assim que a pessoa começa a mudar a si mesma interiormente e a preparar a sua percepção mais para o espiritual, para uma percepção mais fina, ela começa a ver forças que estão por trás deste mundo e que controlam nosso mundo. Ela já começa a ver tudo acontecendo no nosso mundo como um resultado dessas forças. Ou seja, alturas cada vez maiores se revelam para ela, ou um volume maior do universo.

Isto depende apenas de como a pessoa revela a sua alma. O método de purificação e preparação da alma para esta percepção genuína se chama “Cabala” ou “recepção.” Isto significa receber a percepção genuína do universo. Quando o universo se torna completamente revelado para uma pessoa, ela sente a única força que sempre trabalha sobre ela, e ela chama esta força de “o Criador”.

Baal HaSulam ecreveu: “Se nós nos perguntarmos sobre o significado da vida, sobre o propósito de todo o nosso sofrimento, sobre por quê nossas vidas são tão difíceis, etc., nós vamos descobrir que ninguém nos dá uma resposta para este questionamento. Através do curso de milhares de anos, filósofos, sábios, e muitas outras pessoas tentaram mas não encontraram uma resposta. Por isso, hoje, assim como mil anos atrás, nós estamos diante da vida com a mesma questão e nós não somos capazes de respondê-la.”

Ele diz que a resposta pode ser encontrada apenas ao alcançar o Criador: “Experimente e veja como o Criador é bom.” Você tem que tentar revelar o Criador para si mesmo. Depois d’Ele ser revelado, você vai perceber êxtase, perfeição, conhecimento e eternidade. Antes disso – você não vai. Por isso, se uma pessoa sente a futilidade do seu estado (e não importa de que forma o Criador enviou este sentimento para ela, porque o nosso estado amargo também vem do Criador), ele deve entender isto como o chamado do Criador para ela ir em Sua direção.

26 de set. de 2009

Acorde Do Sonho

Traduzido de Wake Up From The Dream


O mundo espiritual não está numa dimensão diferente ou no céu entre as nuvens. Isto é algo que você encontra dentro da sua atitude com as outras pessoas, quando você vê que a sua desatenção quanto a elas é substituída pela atenção e pelo sentimento de que elas são importantes. Isto acontece porque você deseja alcançar a espiritualidade, e você começa a ver que elas são seus companheiros neste caminho.

Você então começa a se preocupar com elas e a cuidar delas justamente como você faria com alguém que é importante para você. Primeiro você faz isso egoisticamente, mas você gradualmente começa a sentir que você quer dar a eles.

Este é o momento em que a luz começa a agir, te fazendo sentir que existem qualidades dentro de você que você precisa corrigir. Você deseja tratar os outros com amor, e você também sente que somente a Luz pode realizar esta correção. Se você realmente quer que isso aconteça, então a Luz virá te corrigir.

No entanto, esta Luz funciona apenas dentro da conexão entre as pessoas, transformando o ódio em amor e corrigindo a quebra que antes havia transformado amor em ódio. Dentro desta nova atitude com os outros, você começa a revelar o mundo espiritual que antes tinha sido perdido durante a quebra. Você percebe que a sua conexão com os outros é uma conexão de almas, dos seus desejos interiores, e dentro dela, você revela o Criador.

Tudo isso ocorre precisamente dentro desta rede de desejos que liga todos vocês. Eles criam um vaso (Kli), dentro do qual a sua vida espiritual se revela. Neste momento, a vida material se mostra ser apenas um sonho, como um mundo imaginado.

Profundamente dentro da conexão entre as pessoas, você revela a qualidade da outorga, e você percebe que ela é a única coisa que existe no mundo. Tudo mais era apenas uma fantasia, uma ocultação do mundo espiritual, a qual era necessária para que você o revelasse.

21 de set. de 2009

Como Desenhar Um Retrato Do Criador

Traduzido de: How To Draw A Picture Of The Creator Inside You


A espiritualidade toma a forma que você constrói para ela com os seus desejos. A única coisa que nós recebemos do Alto é um registro informativo, um Reshimo, mas daí então, nós temos que construir a forma por nossa própria conta. Além disso, se nós pedirmos isso, nós também recebemos do Alto a força e a inteligência para implementar isso.

Algumas pessoas pensam que um mundo já preparado vai de repente cair do céu para elas. Mas é inútil esperar isso acontecer. Nós temos que construir o mundo espiritual através dos nosso próprios esforços. Nós mesmos temos que desenhar esse mundo sobre o fundo da Luz.

À medida que eu faço esforço, eu desenho a imagem do Nível Superior e isso se torna cada vez mais verdadeiro. Eu faço tudo o que eu puder, como imaginar várias formas. Às vezes eu me saio melhor e às vezes pior, e às vezes eu cometo um erro. Eu as crio e apago várias vezes até eu alcançar o sucesso.

No processo desse trabalho, eu de repente vejo que o Nível Superior começa a me ajudar! Ele se veste em mim como uma mão numa luva, e aí trabalha. Ele me ajuda como uma mãe brincando com seu filho, ajudando-o a construir uma casa com peças de Lego. Quando eu tento fazer algo e tenho sucesso, de repente eu sinto que é o Nível Superior que me ajudou a entender a maneira correta de se fazer algo, e que aquela não era a maneira que eu achava ser correta.

No entanto, tudo isso acontece em virtude dos meus esforços, porque eu tento construir algo. O Nível Superior conduz ao começo do meu esforço interior, mas sou eu quem tem que continuá-lo. Eu tenho que encontrar o “broto” e começar a trabalhar com ele. Este é o significado do verso, “Eu, o Criador, sou o primeiro e o último.”

O modo de construir o lugar onde o Criador será revelado é através da construção da conexão com nossos amigos. Nós então construímos o “retrato do Criador” usando nossa própria matéria. Sem isso, Ele não tem nenhuma imagem. Eu projeto Ele em mim, em meus desejos, na parte de mim que eu posso tornar semelhante a Ele.

E então, usando este desejo como a base para a tela, eu começo a ver o “retrato” d’Ele. Isso começa a ser projetado nessa tela, como uma fotografia mergulhada num solvente para revelação. Este retrato, que aparece na minha tela, se chama “Luz Refletida.” É assim que eu recebo duas forças espirituais: a “tela” e a “Luz Refletida.”

Mas tudo isso tem que vir de mim. É por isso que o tempo e um período de preparação de por volta de três a cinco anos são necessários para se entrar no mundo espiritual. O período da ocultação é quando eu realizo as tentativas de construir este retrato. E depois, o mundo espiritual se revela...

7 de set. de 2009

Ações Físicas Não Podem Corrigir Nada no Mundo



Não há sentido em tentar corrigir coisa alguma no nosso mundo, pois este é um mundo de consequencias, as quais descendem das raízes espirituais. No entanto, se nós pudermos de alguma forma afetar as raízes superiores, nós também seremos capazes de mudar o mundo material.

As raízes não podem ser afetadas por individuos separados. É apenas ao nos juntarmos que nós podemos alcançar uma conexão com a raiz, visto que nós não existimos lá como indivíduos. Nas raízes, nós somos todos unidos em um único sistema.

Por isso, se nós desejamos mudar nossa realidade, nós temos que nos unir. Quando nós tivermos esse desejo, ele vai atrair a Luz sobre nós, a qual irá corrigir tudo aqui nesse mundo.

Nós vamos então verdadeiramente “corrigir o mundo.” Mas se nós tentarmos corrigir a externalidade – as açõs externas, comportamentos, ou mandamentos religiosos – então isto vai ser inútil, pois não há nada para corrigir aqui. Todas essas coisas são meramente uma impressão do que acontece no Alto.

É como tentar atingir uma imagem que é projetada numa parede usando-se luz, ou beijá-la e pedir por perdão. É a isso que se assemelham nossas ações, no entanto nós achamos que podemos mudar alguma coisa dessa forma.

Somente as correções internas de uma pessoa podem influenciar o mundo material. É por isso que nós disseminamos a Cabala ao invés de encorajar as pessoas a corrigir a ecologia, a crise e as finanças. No entanto, uma pessoa é sempre mais disposta a “corrigir” as coisas materiais, especialmente se ela sabe que os seus esforços serão vistos e valorizados pelos outros, ou se ela puder se orgulhar de suas próprias ações, a sociedade vai apoiá-la. Neste caso, a pessoa é disposta a fazer qualquer coisa, e isso a leva a realizar tais ações.

O trabalho interno e espiritual é difícil precisamente por esta razão: ele não é valorizado pelas pessoas em nossa volta, e nem mesmo pelo nosso próprio egoísmo. Contudo, o verdadeiro trabalho ocorre somente dentro da pessoa, e ele não depende do corpo ou das ações físicas que ele realiza.

25 de ago. de 2009

As Correntes do Desejo

Trecho de um dos primeiros capítulos de Garanta Sua Saída da Crise (Bail Yourself Out), o mais novo livro do cabalista Rav Michael Laitman. Clique aqui para baixar gratuitamente o livro em português ou clique na foto para baixar o original em inglês.


Quando refletimos sobre o estado da Humanidade no tempo de Babel, podemos entender porque Nimrod rejeitou a descoberta revolucionária de Abraão. Até mesmo hoje, depois de a humanidade ter passado séculos procurando por uma única e perfeita fórmula que explicasse tudo, a explicação de Abraão sobre a realidade parece muito simples para ser verdadeira - até que comecemos a implementá-la.

Como dissemos no capítulo anterior, Abraão descobriu que a realidade consiste de dois desejos. Um desejo é doar e o outro é receber. Ele descobriu que tudo o que existiu, o que existe agora, e o que vai existir é um resultado da interação entre essas duas forças.

Quando os desejos trabalham em harmonia, a vida segue seu percurso pacificamente. Quando eles colidem, no entanto, temos de lidar com as calamidades, catástrofes e crises de grande magnitude.

Através dessas descobertas, Abraão entendeu como o universo e a vida tinham iniciado, e como evoluíram. Nosso universo nasceu aproximadamente há 14 bilhões de anos atrás, quando uma enorme e nunca dantes vista e repetida expansão de energia explodiu a partir de um minúsculo ponto. Os astrônomos a chamam de “o Big Bang.” Assim como um sêmen e um óvulo se juntam para formar um embrião no momento da concepção, o universo foi “concebido” quando o desejo de doar e o desejo de receber se uniram pela primeira vez no Big Bang. Por esse motivo, tudo que existe em nosso universo é uma manifestação da união das duas forças.

Assim como uma célula de um embrião começa a se dividir e a criar a carne do recém nascido imediatamente após a concepção, o desejo de doar e o desejo de receber começaram a formar a matéria do nosso universo imediatamente após o Big Bang. Em seguida, através de um processo que durou bilhões de anos, e que em certa medida, dura ate hoje, gases se expandiram e contraíram alternativamente, galáxias foram criadas, e estrelas se formaram dentro delas. Cada expansão de gases era uma conseqüência de um desejo de doar, que se expande e cria, e cada contração era o resultado do desejo de receber, que absorve e contrai.

A humanidade, como o universo, é um sistema perfeito compreendido por uma miríade de elementos que interagem entre eles. Assim como bilhões de galáxias compõe o universo, bilhões de pessoas juntas compõem a humanidade. E assim como existem estrelas dentro de cada galáxia, há pessoas no seio de nações e estados. E os órgãos, tecidos e células dentro do corpo de cada pessoa são como os planetas, cometas e asteróides orbitando seus sóis.

A expansão e a contração formam as intermináveis idas e vindas da vida, movidas em um momento pela vontade de doar, e no próximo momento pelo desejo de receber. Quer sejam galáxias, sois e planetas fundindo-se para formar o nosso universo, ou células, pele, e órgãos humanos combinados para formar um ser humano, esta articulação, de desejos está na raiz da criação.

Assim como as estrelas, o Planeta Terra desenvolveu-se pela expansão e contração através da interação dos desejos. Quando a Terra foi formada, sua superfície refletia o fluxo de expansão e o refluxo de contração. Acada vez que o desejo de doar prevalecia, o interior da Terra explodia transformando-se em rios de lava. E cada vez que a força do recebimento prevalecia a lava se esfriava e formava novas faixas de terra. Finalmente, uma crosta bastante forte se formou sobre a Terra para permitir o surgimento da vida tal qual a conhecemos.

Se procurarmos bastante, encontraremos as mesmas duas forças – dar e receber – dentro de cada ser criado, tecendo suas magníficas vestes da vida. No processo de tecelagem, o desejo de doar criou primeiro a matéria, como no Big Bang ou como no recém nascido, e o desejo de receber formou a matéria, como nas estrelas e nas diferentes células dos organismos.

23 de ago. de 2009

Por que me sinto mal se tenho tudo?

Trecho traduzido de: Why Is It That I Feel Bad When I Seem To Have Everything?

O ponto inicial da pessoa é a pergunta: “Qual é o significado da minha vida?” Mas quando alguém faz essa pergunta, é importante entender precisamente o que ela significa. Ou ele está mal de um ponto de vista material: ele foi demitido do trabalho e tem todo tipo de problema, doenças e atribulações. Ou então ele está se sentindo mal porque, apesar de ter tudo, ele se sente vazio e nada da vida o satisfaz; tudo é vazio e sem significado.

Existem pessoas que apenas estão mal materialmente falando, e essa é a parte da humanidade que está localizada na parte inferior da pirâmide. Elas só são capazes de ouvir sobre como elas podem se satisfazer no mundo material. E então, existem pessoas que se sentem mal não apenas porque lhes faltam prazeres materiais. Mesmo se elas tiverem tudo, elas sentem como se não tivessem nada. O motivo disso é que um desejo novo e não-material despertou neles – o ponto no coração.

Quando o ponto no coração desperta numa pessoa, isso significa que um novo desejo ou qualidade surge dentro dela. É sobre este desejo que a Cabala fala, explicando porquê você não consegue mais encontrar felicidade nesse mundo. Por isso, vá em frente e revele o Mundo Superior.

13 de jul. de 2009

Isso é tudo o que existe?


Traduzido de: Is This All there Is?
Olhe a sua volta. O que você vê? O que ouve? Você já se perguntou se existe algo lá fora que não possa ser detectado por seus cinco sentidos? Talvez existam outros mundos e criaturas dentro do espaço que você não percebe - mundos que são invisíveis e irreconhecíveis do nosso ponto de vista.

Para um Cabalista, nós vivemos na escuridão, incapazes de ver a realidade superior, mesmo que ela esteja lá. Desconhecendo qualquer outra, tomamos essa visão do mundo como a única realidade possível. Porém, considere a Cabala como uma forma de iluminar toda a realidade, de modo que seja fácil percebê-la. Quando isso acontece, e nós a aceitamos, a nossa percepção da realidade se transforma. Não conseguimos mais agir da mesma maneira que antes, quando estávamos na escuridão, e isso serve tanto para o nosso beneficio quanto para os demais.

ALÉM DOS CINCO SENTIDOS

Você nunca se sentiu estranho porque sua mão tem apenas cinco dedos? Provavelmente não. Embora possamos expandir o alcance da percepção de nossos cinco sentidos, não conseguimos realmente imaginar quais são as percepções que nos faltam. É impossível reconhecer a verdadeira realidade, porque não é algo que sentimos falta, do mesmo modo que não sentimos falta de um sexto dedo.

Como a imaginação é um produto de nossos cinco sentidos, nós nunca poderemos vislumbrar um objeto ou criatura que não seja conhecido. Pense no mais criativo dos livros infantis ou na maioria dos artistas abstratos que você conhece. Será que seus desenhos se parecem com coisas que existem no mundo físico? Experimente imaginar a coisa mais esquisita; mesmo assim, você terá criado algo já conhecido ou algo que decifrou de sua realidade quotidiana.
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Centelhas Espirituais

Os cinco sentidos e a nossa imaginação só nos oferecem a revelação das ações da Essência, mas não a Essência em si. Por exemplo, o sentido da visão nos oferece somente imagens refletidas da Essência visível, conforme elas são formadas em oposição à luz.- Rav. Yehuda Ashlag, Prefácio ao Livro do Zohar
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A transcendência dos cinco sentidos não acontece literalmente. É mais uma maneira de se descrever um nível de percepção superior, onde entendemos a interligação de todas as coisas, e o nosso lugar nessa realidade interligada.

É possível que eu e você recebamos muitas sensações dos objetos externos. Mas, como os nossos sentidos não possuem as mesmas qualidades daqueles objetos, nós não os percebemos. Só percebemos a parte do objeto que se parece com as qualidades que já possuímos. Para termos uma percepção completa das coisas, devemos primeiro estar interiormente completos. Em outras palavras, precisamos estar cientes de todas as formas de realidade que existem em nós; assim, a nossa imagem da realidade será completa.

Então, como alcançamos o sexto sentido, que aumenta nossa percepção para além da realidade convencional? Na verdade, ele existe em todos nós, mas está oculto. Você se lembra da intenção no capitulo anterior? Com ela, podemos ativar esse sentido adormecido, torná-lo ativo. Com persistência e estudo, começamos a adquirir a percepção do mundo do Criador – o mundo da doação. Na Cabala, esse mundo é chamado de “Mundo Superior”. Através do estudo e do desenvolvimento do sexto sentido, começamos a sentir e a entender o Mundo Superior de forma gradual.
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Centelhas Espirituais

Portanto, você deve entender e perceber que todos os nomes e denominações, todos os mundos, Superior e Inferior, são uma Luz Simples, Una e Unificada. No Criador, a expansão da Luz, o Pensamento, a Operação, o Operador, e tudo aquilo que o coração pode pensar e contemplar são a mesma coisa.—Rabino Yehuda Ashlag, O Estudo das dez Sefirot
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DO OUTRO LADO DA BARREIRA

A percepção do Mundo Superior varia de acordo com nosso estado espiritual. Inicialmente, não conseguimos perceber o Mundo Superior, porque nossas qualidades são opostas às do Criador. Em tal estado, só conseguimos perceber o mundo material em que vivemos, e tudo aquilo que imaginamos ser o mundo superior é apenas invenção da nossa imaginação.

Mas, tão logo adquirimos a primeira qualidade espiritual, a primeira porção de altruísmo, conquistamos também a capacidade de perceber o mundo espiritual tal como ele realmente é. Os Cabalistas chamam isso de: “atravessar a barreira”. Uma vez que atravessamos a barreira, podemos avançar até sem professor, porque nesse estado estamos sob a orientação do Criador. Ainda assim, na maioria dos casos, os Cabalistas continuam estudando com um professor, mesmo depois de atravessarem a barreira. Porém, a relação com o professor muda drasticamente: o professor não precisa mais conduzir o cego pela mão, mas ambos andam juntos, lado a lado, num maravilhoso caminho de descoberta.

Depois da barreira, a pessoa aprende com sua própria alma, através da observação dela, e da relação desta com o Criador. Para compreender esse processo de aprendizagem, lembremos da audição. O mecanismo da escuta reage a certa pressão de fora, trabalhando da mesma maneira que a pressão, mas em direção oposta, pressionando de dentro. Dessa maneira, ela se mantém em equilíbrio, permitindo-nos medir, nesse caso, o volume e o grau de um som. Mas, eis a dificuldade: para que ocorra esse tipo de percepção, deve haver algum elemento de união entre aquele que percebe e o objeto de percepção. No caso da nossa escuta, é o tímpano.

Porém, qual é a força de união que pode ligar nossa percepção ao Criador? Talvez o que precisemos seja um “tímpano espiritual”, que tivesse a mesma qualidade daquela dada pelo Criador? Bem, esse “tímpano“ existe: é a intenção, introduzida no Capítulo 2. Tudo aquilo que fizermos com a intenção de dar, é considerado “dar” na espiritualidade. O problema é percebermos quando a nossa intenção é para receber, e transformá-la numa intenção de dar. Mais detalhes de como fazer isso serão dados no Capítulo 12: Estudando Cabala.

A ÚNICA REALIDADE ESTÁ DENTRO DE NÓS

A nossa compreensão daquilo que sentimos está baseada nos genes que herdamos, em nossas experiências, nossa socialização, e no que aprendemos. É tudo totalmente subjetivo. Independentemente do que os nossos sentidos captem, o que eventualmente entendemos e a forma como agimos é muito pessoal.

Por exemplo, se fossemos surdos, não haveria sons a nossa volta? Não haveria música e o som de aviões a jato rugindo sobre nossas cabeças? Será que os pássaros deixariam de cantar só porque não podemos ouví-los? Para nós, sim. Não há como descrever para um surdo o som de um rouxinol. Além disso, duas pessoas não têm a mesma experiência quando ouvem o mesmo som.

Tudo aquilo que você e eu acreditamos existir fora de nós são, na realidade, experiências sentidas dentro de nós. Nós não temos como dizer como elas realmente são por si mesmas. Portanto, quando pensamos sobre a realidade, estamos de fato pensando naquilo que vemos objetivamente, através das lentes de nossa própria percepção.

10 de jul. de 2009

Ver Com A Alma

Há muito mais a ser percebido do que os olhos vêem.
por Keren Applebaum

Artigo do Jornal Kabbalah Hoje

Nos anos 60. o Professor Paul Bach-y-Rita revolucionou o campo da neurobiologia e reabilitação introduzindo o conceito de substituição sensorial. Explorando a plasticidade do cérebro ou a habilidade de adaptação, ele dotou pacientes cegos com a capacidade de usar o sentido do tacto na obtenção de informação ambiental normalmente percebida pela visão. Um eletrodo colocado na língua do paciente foi utilizado para transmitir estímulos externos para o cérebro, que traduziu o estímulo táctil em estímulos visuais, capacitando o paciente cego a “ver”.

O segredo por trás desta aparentemente fantástica operação pode ser resumido nas famosas palavras de Bach-y-Rita: “Nós vemos com o nosso cérebro e não com os nossos olhos”. Com base nesta convicção ele foi o pioneiro no campo das pesquisas sobre como ajudar os deficientes a compensar a perda de facilidades sensoriais danificadas usando os sentidos funcionais remanescentes. Dito simplesmente, ele avançou a idéia que nossos sentidos são intercambiáveis.

Esta linha de raciocínio é suportada por outros dados, como o efeito Mc Gurk, mostrando que nossa compreensão da fala é uma combinação de informações visuais e auditivas. Em outras palavras, nossa percepção visual é parcialmente responsável pelo que ouvimos, sugerindo que nosso cérebro algumas vezes interpreta a informação visual como auditiva. Outras experiências em curso examinam o papel da visão na percepção de odores (imagine ver um filé delicioso quando você está resfriado e não consegue sentir nenhum odor; sua boca mesmo assim se encherá de água do “aroma delicioso” do que você vê).

Alem disso, foram identificados muitos indivíduos com habilidades “especiais” que também justificam a noção de que a nossa percepção sensorial não seja tão apoiada em nossos sentidos como imaginamos. Um exemplo famoso é o de Rosa Kuleshova, que foi capaz de ler material impresso normalmente e identificar cores apenas com a ponta dos dedos, enquanto seus olhos estavam vendados.

Uma novamaneira de olhar a percepção

A Cabala, a sabedoria que se aprofunda no campo da percepção da realidade – a força geral da natureza – nos diz que os exemplos mencionados acima não são tão surpreendentes. Na verdade, como explicou Baal HaSulam, o grande Cabalista do século XX, cada um de nossos cinco sentidos incorpora todos os demais, significando que cada sentido percebe parcialmente o que os demais sentem. Assim, se uma pessoa perde um dos cinco sentidos, esta perda é parcialmente compensada pelos sentidos remanescentes. Isto não quer dizer que um cego enxergará literalmente, mas que os demais sentidos irão ajudálo a suplantar sua perda fornecendo informações que antes eram entregues pela visão.

Acontece que nós podemos parcialmente “ver, ouvir, cheirar, provar e tocar” com qualquer um dos nossos sentidos. E como prova o exemplo de Rosa Kuleshova, esta habilidade é mais desenvolvida em algumas pessoas (embora no passado, antes que nossos sentidos fossem amortecidos pelo mundo artificial, barulhento inventado pelo homem, todos nós tínhamos estas habilidades).

Então Paul Bach-y-Rita estava certo? Nós “vemos com o nosso cérebro, não com os nossos olhos”? Não é bem assim, porque na realidade há muito mais em nossa percepção. De acordo com a Cabala, se a ciência continuar a pesquisar o campo da percepção, descobrirá que o nosso cérebro é nada mais que um detector, onde ao contrário a percepção não está ocorrendo realmente, mas sim fora do cérebro, em algo chamado o “desejo”. O que é o desejo? É a nossa essência espiritual, sem nenhuma relação com o nosso corpo físico e que existe completamente fora da matéria corporal. É aí que acontece a nossa percepção – em nosso desejo, também chamado nossa “alma”.

Percepção infinita

Mas ainda há mais. Acontece que tudo o que percebemos “com nossos cinco sentidos” – o grande mundo que vemos (e ouvimos e tocamos e cheiramos e provamos) ao nosso redor – é apenas um porção mínima do que somos capazes de perceber. Embora percebamos todas estas coisas com a nossa essência não-física, a alma, somente alcançamos a parte menor, mais externa de tudo. É como um “nível básico” da percepção que nos permite perceber o mundo físico e sustentar a existência física de nossos corpos.

Entretanto este novo sentido tem um potencial infinitamente maior: como ele é encontrado alem da realidade corporal, ele pode perceber uma riqueza infinita de “cores, sons, sabores e sensações” espirituais. Para isto, entretanto, precisamos desenvolver este sentido espiritual latente que já está em nosso interior. Assim, em adição ao “nível básico” de percepção da nossa realidade atual, continuaremos a revelar maiores camadas da realidade espiritual mais “externa”, alcançando partes mais elevadas do nosso órgão sensorial real – a alma.

Então, como podemos fazer isto? Como podemos perceber esta realidade “superior”? Podemos simplesmente mudando a nossa abordagem ou nossa atitude com relação à vida. A Cabala explica que na realidade, nada muda fora de nós. A única coisa que muda somos nós. Percebemos a influência constante e imutável da força geral da natureza, uma força que deseja nos dar prazer; mas a percebemos dentro dos nossos desejos continuamente em mudança.

O grau de similaridade dos nossos desejos com esta força da natureza é que representa – dentro de nós – a figura sempre mutante do mundo “externo”. Em outras palavras, quanto mais nos assemelharmos à força da natureza, amando e doando para os outros, mais sentiremos esta força e experimentaremos uma realidade mais rica e ampla. Mas, enquanto nossos desejos e atitudes forem opostos à esta força (egoístas) a única realidade que experimentaremos será esta, sentida pela maioria das pessoas no mundo.

Conclui-se que a percepção não está realmente ocorrendo em nossos sentidos físicos ou no cérebro. Isto porque uma pessoa pode não ter olhos, mas mesmo assim ser capaz de enxergar, como demonstraram as últimas experiências científicas. Então porque temos olhos? Para ter a ilusão que algo está em nossa frente! Isto ajuda a construir nossa realidade como “eu” e “algo fora de mim”, porque assim somos capazes de interagir com nosso ambiente e pesquisar a “realidade externa”.

E finalmente, a pergunta mais importante: O que se sente ao perceber a força da natureza? Os Cabalistas que já alcançaram todo o domínio espiritual dizem que isto dificilmente pode ser traduzido em nossa linguagem comum, que é destinada a descrever os objetos físicos ao nosso redor. Entretanto, para uma aproximação grosseira, dizem que a percepção pelas partes mais elevadas de nossa alma pode ser sugerida pela mais ampla interpretação imaginável das palavras “eternidade, infinito e perfeição”.


Kabbalah Hoje nº 20 pág. 03

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